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O que acontece com Ronaldinho?

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h52

A dúvida, que já era de muitos comentaristas brasileiros – e da torcida também –, chegou aos italianos. O que acontece com Ronaldinho Gaúcho? Tem recuperação? Será que já é parte do passado? Era o que se discutia nas mesas redondas de domingo à noite após mais uma atuação pífia pelo Milan no empate diante do Livorno. E também era tema dos jornais , que comentavam a rodada, mas também já projetavam o compromisso de hoje do Milan, em Marselha, pela Champions League. Os mais sóbrios dizem que Leonardo, em nome do “bom senso, da razão e da tática” deve colocar o brasileiro no banco. Os agressivos, ou irônicos, falam das farras e até do formato dos dentes. Jogador que não está produzindo é atirado às feras. Em qualquer lugar.
Os jornais são mais respeitosos para com Ronaldinho, mas mesmo assim poucos se lembram de que ele foi há pouco o melhor do mundo e, mesmo em má fase, quando veio do Barcelona, mostrou serviço no Milan. Chegou a fazer uma partida esplendorosa em Siena. Em todo caso, um fato se impõe, para quem quiser ver: ele está jogando muito mal, ausente das partidas. O que houve? Desaprendeu, como dizem no Brasil?
Aqui como lá as hipóteses são muitas. Já ganhou tudo o que queria. Está rico. A vida noturna não permite treinamento sério. Etc e tal. Mas o que sabemos do que vai no coração (e na mente) de um homem? Sucesso todo mundo quer fazer, ainda mais uma estrela. Será que dá fastio? Duvido. Mas o êxito pode ser como certas drogas: produz mais efeito nas primeiras vezes. Depois o organismo se habitua e passa a exigir doses maiores. Mas, nesse caso, será que os desafios de Ronaldinho não são suficientemente grandes para que ele se envolva? Disputar uma Champions, um novo Mundial, será que tudo isso não mexe mais com a libido do brasileiro?
É difícil dizer. Mesmo porque, nesses casos, torna-se inútil perguntar ao personagem qual é a sua opinião. Claro que ele irá dizer que mantém intacto o desejo de jogar, que está trabalhando duro pela volta da boa fase, que a torcida não perde por esperar e os jornalistas vão ter de engoli-lo. Tudo frase feita, que a gente ouve no Brasil, aqui na Itália, nas Ilhas Farö, onde quer que a bola role. Ou seja, no planeta inteiro. Importa, sempre, compreender o idioma que o jogador articula dentro de campo. Sua linguagem corporal no contato com a bola, a lucidez, a fome de vencer – ou, pelo contrário, na ausência de tudo isso. Ronaldinho é um mistério. Tem apenas 29 anos, não parece fora de forma, joga num time de ponta, tem bons companheiros para trocar figurinhas e, no entanto, a coisa não flui. Como o jogo de hoje é considerado fundamental, talvez Ronaldinho seja barrado – apesar da proteção de Berlusconi que, enroscado com as histórias de prostitutas e festinhas em sua mansão, tema constante dos jornais de oposição, tem mais com que se preocupar.
No Brasil
Consegui assistir alguma coisa do Campeonato Brasileiro pela internet. Vi parte do emocionante 3 a 2 do Vitória sobre o Palmeiras e também os “melhores momentos” do sofrido Santos 1 x 0 Santo André, na Vila. Então, é isso: a coisa embolou mesmo na luta pelos primeiros lugares, com o Palmeiras mantendo a ponta mas vendo pelo retrovisor Inter e São Paulo crescendo, para não falar no Atlético Mineiro que, quando eu saí do País, muita gente chamava de cavalo paraguaio. Faltando 14 rodadas, vai ser uma chegada de arrebentar. Estou com saudades, e não só do futebol. Brasil, me aguarde.

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