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O que fazer até dezembro?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 20h54

18/9/2007

Salvo zebra total, este será o Campeonato Brasileiro decidido com maior
antecedência desde o início da era dos pontos corridos. Em 2003, o Cruzeiro
disparou na frente, mas o Santos fez uma perseguição empolgante na reta
final. Em 2004, o título já estava quase na mão do Atlético-PR, que vacilou
e deixou o Santos tomar a ponta. Foi também eletrizante. Em 2005, ano do
escândalo da arbitragem, o título foi resolvido lá pelo fim, com toda aquela
controvérsia das partidas repetidas e o famoso jogo entre o Corinthians e o
Internacional. No ano passado o São Paulo teve o Internacional em seu
encalço durante muito mais tempo.
O que se pergunta agora é o que faremos até dezembro, quando enfim o São
Paulo poderá botar a faixa de maneira oficial? Nos contentaremos com a
disputa pelas vagas da Libertadores? Vale mesmo saber quem vai para a
Sul-Americana?Ou teremos de nos focar na luta inglória na parte de baixo da
tabela, interesse que sempre contém certa dose de sadismo?
O que quero dizer é o seguinte: é possível que o campeonato fique chato
mesmo. Mas o que fazer? É a regra do jogo, segundo a qual o time mais
competente deve ser premiado. Ou será que alguém aí tem saudades do tempo em
que havia uma fórmula de disputa a cada ano, uma mais casuística do que a
outra, manobras de bastidores, tapetões e tudo o mais? Se o São Paulo
conseguiu decidir o título com tanta antecipação, o mérito é todo dele. Os
outros que se inspirem em seu exemplo. Pois o São Paulo é um dos poucos,
talvez o único dos clubes que, no contexto do atual futebol brasileiro,
conseguem impor um pouco de ordem ao caos. Aceita (mesmo porque não tem
outra alternativa) a política de sucessivos desmanches e consegue se
reconstruir com outros atletas sem se desfigurar. Essa preservação da
identidade em meio à mudança constante, ocasionada pela saída incontrolável
de jogadores, é mérito tanto da sua diretoria quanto da sua equipe técnica.
Por isso, será de grande interesse esse jogo de amanhã pela Sul-Americana
entre São Paulo e Boca Juniors, o melhor time do Brasil contra o melhor da
Argentina. Uma espécie de tira-teima. Será que o São Paulo é tão bom assim
ou é apenas o baixo nível do atual futebol brasileiro que faz com que pareça
ser melhor do que é?
BOLA DIVIDIDA
Na semana passada estava na França, sede da Copa do Mundo de Rúgbi.
Deixei-me contaminar pelo clima ameno de Paris e fiz uma brincadeira que
incomodou admiradores brasileiros do esporte. Recebi até um e-mail, gentil,
de Roberto de Magalhães Gouvêa, presidente da Associação Brasileira de
Rúgbi, convidando-me a “saber mais um pouco sobre as belezas deste esporte”.
Tentarei.
A amenidade a que me refiro não se devia apenas à temperatura agradável à
margem do Sena, ou à excelência dos vinhos e queijos, ou mesmo à beleza da
mulher francesa. Era o ambiente fraterno que lá encontrei, a sadia
rivalidade entre adeptos do futebol e do rúgbi, que permitia a uns dizer que
o rúgbi era esporte de brutos e a outros chamar o futebol de jogo de
maricas. Gozações que acabavam como se deve, entre risadas e goles de
cerveja. Porque quem gosta de um esporte sabe que todos os outros têm também
seus encantos e mistérios. Preferir um ou outro é apenas exercício de gosto
pessoal. Então achei que podia brincar também. Apenas esqueci que o Brasil é
um país onde o senso de humor foi abolido.

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