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O que fazer com o futebol brasileiro?

O fato é que fomos empurrados aos poucos para a periferia do futebol mundial, num processo de alguns anos. A situação não apenas não melhora (do nosso ponto de vista) como se deteriora cada vez mais. Basta ver, com objetividade e olhos não cegos pela paixão, o nível absurdamente baixo do Campeonato Brasileiro de 2017

Luiz Zanin Oricchio

13 de dezembro de 2017 | 15h25

 

Hoje ouvi (no rádio) uma notícia, como dizer, “bizarra”, seria talvez a palavra?

Era a seguinte: o Santos havia se interessado por determinado jogador brasileiro atuando na Europa e este teria preferido assinar contrato com o último colocado do Campeonato Italiano, uma equipe cujo nome não lembro e que conseguira a proeza de perder seus 15 (quinze!) últimos jogos. (Tive de pesquisar para descobrir que se trata do Benevento, que está na 1ª divisão pela primeira vez em seus 88 anos de história. Talvez a última)

O rapaz, de quem também desconhecia o nome, era buscado para suprir a vaga de Lucas Lima, que se bandeou da Vila Belmiro para o Allianz Parque. Enfim, o tal atleta é um meia, criador em tese, mas prefere o anonimato em um time pífio que vestir a camisa 10 que um belo dia pertenceu a um cidadão chamado Pelé.

É essa a realidade. Perdemos jogadores para a elite dos clubes – Barcelona, Real Madrid, Milan, Paris St. Germain, etc – mas igualmente para a China, o “mundo árabe” e também para os piores clubes do continente europeu. Os atletas preferem ficar por lá e devem ter suas razões. Talvez mesmo nessas condições inferiores ganhem mais (mas duvido, porque os salários brasileiros, nos principais clubes, estão altíssimos). Talvez pese a qualidade de vida, o prazer de morar em países mais estáveis (e seguros) ou o fato de estarem no centro (embora em times pouco notáveis) e, num golpe de sorte, serem observados pelos grandes clubes.

O fato é que fomos empurrados aos poucos para a periferia do futebol mundial, um processo de alguns anos que agora chega ao cume. A situação não apenas não melhora (do nosso ponto de vista) como se deteriora cada vez mais. Basta ver, com objetividade e olhos não cegos pela paixão, o nível absurdamente baixo do Campeonato Brasileiro de 2017.

Estamos nos acostumando a curtir qualquer pelada desde que tenha “emoção”. Ora, o futebol é quase sempre emocionante, a não ser em partidas amistosas, essas de fim de ano dos amigos de fulano x amigos de beltrano, com os pobres narradores de TV se esforçando para passar aos espectadores a impressão de que tratam de jogos sérios. Não são. Fora isso, como dizia Nelson Rodrigues, “qualquer pelada é de uma complexidade shakespeariana”.

Acredito nisso. Mas creio também que um futebol que já ganhou cinco Copas do Mundo e teve e tem craques em qualquer posição para exibir ao planeta deveria zelar pela qualidade do seu jogo. E não apenas pelo caráter de “entretenimento” que as partidas costumam ter porque essa característica faz parte da própria estrutura do jogo.

Se a seleção vai bem, isso não me anima, porque é formada integralmente por jogadores que atuam fora do país. Ou seja, a realidade da seleção é uma, a do futebol jogado no país é outra. Foi-se o tempo em que a seleção era forte porque expressão do forte futebol que aqui se jogava. Hoje as duas coisas – seleção e futebol interno – se desvincularam.

Ok, teremos agora o Grêmio disputando o título mundial contra o Real Madrid. Mas vocês já não se cansaram de ver os times brasileiros, quando chegam lá, atuando como azarões? Eu já.  

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