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O que se passa com Neymar?

Luiz Zanin Oricchio

19 de junho de 2015 | 10h20

Depois da má atuação, e expulsão, contra a Colômbia, vejo comentaristas tentando decifrar o que se passa com Neymar. Nada mais fácil, a meu ver. O rapaz é humano, isso é tudo. Submetido a mais tensões do que pode suportar, explodiu. E agora precisará reencontrar a serenidade para jogar tudo o que sabe.
Neymar está sob duas tensões diferentes, que, somadas, podem ter se tornado intoleráveis. Primeiro, o imbróglio da transferência para o Barcelona, que agora chegou até ele. Não sabemos a dimensão da fraude. Mas é lógico que houve algo de irregular, prejudicando várias partes – o Santos, a DIS, o fisco espanhol. Todos estão atrás do seu quinhão. Parece claro que houve um pagamento por fora, e que este foi feito quando o rapaz ainda defendia o Santos, antes mesmo daquele jogo contra o Barcelona na final do Mundial de Clubes. Tudo isso é muito sujo e agora ameaça respingar no ídolo.

A outra fonte de tensão está na seleção, na qual, obviamente, Neymar é o único craque, o artista solo que tem de fazer o conjunto apresentar uma música razoável. Mesmo Pelé, o maior de todos, sempre teve ao seu lado craques para trocar figurinhas. Neymar olha ao lado e quem vê? Bons jogadores, sem dúvida, mas nenhum deles capaz de, numa jogada, desmontar uma defesa e decidir um jogo. E nem mesmo acompanhar a velocidade de raciocínio do ex-santista. Virou capitão, pois o anterior chorou sentado na bola, como se lembra. Tudo isso, ser o carregador de piano e o solista ao mesmo tempo, e além de tudo comandar a equipe, pode ter pesado demais. É muito mais fácil para ele jogar bem no Barcelona, ao lado de Messi, Suárez, Iniesta & Cia do que na seleção do Dunga.

Com todos esses problemas, dizem que ele não está mais brincalhão como antes e nem mesmo descontraído. Na partida contra a Colômbia, além disso, não conseguiu jogar bem. Foi muito marcado. Duramente marcado, como talvez já não esteja acostumado. Perdeu a cabeça. Perdeu o jogo e, talvez, dependendo da Conmebol, tenha perdido a Copa América. Não sei, a esta altura do campeonato, o que isso significa para ele. Mas o momento não é bom.

A maturidade, com todos os seus inconvenientes, chegou cedo demais para ele.

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