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O que você vai ser quando crescer?

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 22h12

É a pergunta que se deve fazer aos clubes na fase atual do Campeonato Brasileiro. Quer dizer, o campeonato não é mais novinho em folha. Já rolaram oito rodadas e algumas cabeças de técnicos. Alguns jogadores já se firmaram como valores seguros e outros bateram asas. Uns poucos times mostraram que irão disputar o título e vagas para a Libertadores. Outros já sentem rondar o incômodo do rebaixamento. E outros não estão nem lá e nem cá. Vivem no limbo, sem conhecer as delícias do céu ou padecimentos do inferno. São os times médios, palavra que, você sabe, está próxima do termo medíocre.

Nada menos que cinco times têm dez pontos na competição. Pela ordem: Cruzeiro, Santos, São Paulo, Santo André e Fluminense. Vão do 9º ao 13º lugar, segundo os critérios de desempate. É engraçada a situação deles. Ganhando na próxima rodada, encostam nos líderes; perdendo, se acotovelam com os lanternas. Isso tudo para dizer que o campeonato pode estar muito embolado, mas já chegou a hora de os times definirem o que desejam para si. Brigar pelas primeiras posições? Instalar-se no conforto da zona intermediária? Ou arriscar-se a lutar até o fim contra o descenso? Agora é a hora da escolher o que se vai ser quando crescer. Trocar de técnico, se acham que é necessário, contratar jogadores, se for possível, dispensar alguns, se estiverem sobrando. Hora de pensar na vida. Depois, pode ser tarde demais.

BOBOS NO FUTEBOL

Ouvi com atenção as alegações de Luiz Gonzaga Belluzzo para demitir Luxemburgo. Não fiquei convencido. Não posso acreditar que um homem que, como ele mesmo diz, combateu a ditadura, possa se ater de forma inflexível a uma pequena questão disciplinar. Parece que a entrevista em que Luxa se queixa da saída intempestiva de Keirrison foi apenas uma gota d’água e não “quebra de hierarquia”, como se alegou. Não cometeria com Belluzzo, a quem admiro, a descortesia de considerá-lo um hierarca de ares imperiais, cioso de sua “otoridade”. Prefiro pensar de outro modo: o economista Belluzzo, mirando com um olho a folha de pagamento de Luxemburgo & estafe, e com o outro as conquistas do time, teria chegado à conclusão de que o custo-benefício não se justificava. Assim, apegou-se a esse pretexto para arrumar a casa. Mas também não acho que Luxemburgo entrou nessa de gaiato. Não era segredo, nem para a estátua de Valdemar Fiúme, que a frigideira já se acendera para ele no Parque. Quem o defendia, em público, era o próprio Belluzzo. Sentido-se ameaçado, e desprestigiado no caso Keirrison, Luxa resolveu partir para o ataque, como é do seu feitio.

Deu-se mal. Ou talvez bem? Não sabemos. O fato é que não acredito nessa história de que não existe mais bobo no futebol, como se diz. Acho que o futebol continua cheio de bobos: nós, a torcida. Ou, pelo menos, somos tratados desse jeito.

A outra bobeira é achar que, porque ganhou a Copa das Confederações, a seleção seria favorita para o próximo Mundial. Pelo contrário: as vitórias suadas contra África do Sul e Estados Unidos deveriam servir de aviso. Há um nivelamento por baixo muito evidente no futebol. Dunga conseguiu ter um time arrumado e, em aparência, motivado. Em meio à mediocridade geral, pode até ser campeão. Só não pode é posar de favorito antes da hora. Mesmo porque não é. Esse negócio de favoritismo é papo de gente tola.

(Boleiros, 30/6/09)

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