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O que você vai ser quando crescer?

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h54

Foi desse jeito que meu amigo Jotabê Medeiros definiu a fase atual do Campeonato Brasileiro. Quer dizer, o campeonato não é mais novinho em folha. Já rolaram oito rodadas e algumas cabeças coroadas de técnicos. Alguns jogadores já se firmaram como valores seguros e outros já bateram asas, deixando estragos atrás de si, como Keirrison. Uns poucos times mostraram que irão disputar o título e vagas para a Libertadores. Outros, já sentem rondar o incômodo do rebaixamento.
E outros ainda, não estão nem lá e nem cá. Vivem no limbo, sem conhecer as delícias do céu ou padecimentos do inferno. São os times médios, palavra que você sabe, está próxima de medíocre. Nada menos que cinco times, por exemplo, têm dez pontos na competição. Pela ordem: Cruzeiro, Santos, São Paulo, Santo André e Fluminense. Vão do 9º ao 13º lugar, segundo os critérios de desempate. É engraçada a situação deles. Ganhando na próxima rodada, encostam nos líderes; perdendo, se acotovelam com os lanternas. Isso tudo para dizer que o campeonato ainda está muito embolado, mas já chegou a hora de os times definirem o que desejam para si. Brigar pelas primeiras posições? Instalar-se no conforto da zona intermediária? Ou arriscar-se a lutar até o fim contra o descenso? Agora é a hora da escolha. Trocar de técnico, se acham que isso é necessário, contratar jogadores, se for possível, dispensar alguns, se estiverem sobrando. Hora de pensar na vida. Mesmo porque, depois, pode ser tarde demais.

Bobos no futebol (1)
Ouvi com atenção as alegações de Luiz Gonzaga Belluzzo para demitir Luxemburgo. Não fiquei convencido. Não posso acreditar que um homem que, como ele mesmo falou, combateu a ditadura, possa se ater dessa forma inflexível a uma pequena questão de hierarquia. Parece que a entrevista em que Luxa se queixa da saída intempestiva de Keirrison foi apenas um pretexto e não “quebra de hierarquia”, como se alegou. Não cometeria com Belluzzo, a quem admiro, a descortesia de considerá-lo um hierarca, alguém de ares imperiais, cioso de sua “otoridade”. Prefiro pensar de outro jeito: o economista Belluzzo, mirando com um olho a folha de pagamento de Luxemburgo & estafe, e com o outro as conquistas do time, teria chegado à conclusão de que o custo-benefício não se justificava. E assim apegou-se a esse pretexto para arrumar a casa. Mas também não acho que Luxemburgo entrou nessa de gaiato. Não era segredo, nem para a estátua de Valdemar Fiúme, que a frigideira já se acendera para ele no Parque. Quem o defendia, em público, era o próprio Belluzzo. Sentido-se ameaçado, e desprestigiado no caso Keirrison, Luxa resolveu partir para o ataque, como é do seu feitio.
Deu-se mal. Ou talvez bem? Não sabemos. O fato é que não acredito nessa história de que não existe mais bobo no futebol, como se diz por aí. Pelo contrário, acho que o futebol continua cheio de bobos. Nós, a torcida. Aquele pessoal que grita na arquibancada sem jamais influir no resultado.

Bobos no futebol (2)
A outra bobeira é achar que porque ganhou a Copa das Confederações, a seleção já seria favorita para a próxima Copa do Mundo. Pelo contrário: as vitórias suadas contra África do Sul e Estados Unidos deveriam servir de advertência. Há um nivelamento por baixo muito evidente no futebol brasileiro. Fazendo parte desse nivelamento, a seleção brasileiro tem conseguido fazer diferença com um ou outro talento individual. Mas a diferença em relação às outras é pequena. Dunga conseguiu ter um time arrumado e, em aparência, motivado. Em meio à mediocridade geral, pode até ser campeão. Só não pode é posar de favorito antes da hora. Mesmo porque não é. Esse negócio de favoritismo é papo para trouxas.

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