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Os 5 a 1, a arte, o pessimismo

Luiz Zanin Oricchio

30 de janeiro de 2014 | 18h39

Vamos deixar de lado por um momento que o jogo foi um desastre para os corintianos e uma bênção para os santistas.

O fato a ser destacado é que ontem, na Vila, jogou-se futebol. Plenamente. A partida foi linda, em especial no primeiro tempo, quando o Santos jogou mais que o Corinthians, mas este diminuiu para 2 a 1 e deixou tudo em aberto. O segundo tempo, a partir do terceiro gol do Peixe, foi um massacre.

Acontece que esta que foi a melhor partida do Campeonato Paulista, e a melhor do ano, nos ajudou a lembrar uma coisa. Óbvia, mas da qual às vezes nos esquecemos: o futebol é maior que seus problemas.

Eu não conheço nenhuma atividade humana (tá certo, o mercado de capitais, vá lá) tão assolada pela cobiça. Tudo, no futebol, gira em torno do dinheiro. Veja por exemplo esse caso sujo da transferência do Neymar para o Barcelona. Todos têm suas razões e Neymar pai pode sempre alegar que quis o melhor para o filho, etc. O Santos também pode alegar que a instituição precisa defender seu patrimônio, etc. Mas, no fundo, é uma briga de foice no escuro, em que uma parte procura tirar o máximo da outra. Feio à beça.

E, no entanto, há o futebol. Já já começaremos a esquecer o quanto Neymar nos deu de prazer e orgulho ao jogar pelo Santos. Daqui a pouco, diante de tantas provas inequívocas de cupidez, deixaremos em segundo plano aquele gol que ele marcou na Vila contra o Internacional e levou marmanjos presentes às lágrimas, inclusive esta besta que ora escreve.

Enfim, às vezes as notícias do futebol são tão deprimentes que começamos a nos perguntar: e por que vou perder tempo com toda essa merda?

Pois bem, a resposta foi dada ontem na Vila, a cada arrancada de mais uma geração de meninos que ali se insinua. Gols atrás de gols, em rápidas estocadas de contra-ataques, dribles, habilidade, passes precisos, irreverência. Tudo o que buscamos num campo de futebol.

O futebol é isso, em sua essência. Se foi deformado pelo excesso de dinheiro, sempre sobra seu encanto de origem quando jogado com arte, vontade, determinação, ousadia. Nesses momentos esquecemos de toda a sujeira, de todos os interesses escusos, dos cartolas, dos intermediários, dos pais de jogadores, dos agentes, da CBF, da Fifa, da lavagem de dinheiro, de todos esses parasitas da grande arte inventada pelos ingleses e aperfeiçoada aqui, abaixo do Equador.

O futebol nos redime das mazelas do próprio futebol.

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