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Os campeões

Luiz Zanin Oricchio

13 de maio de 2016 | 00h21

 

Coloco no plural porque, a meu ver, o Audax foi tão campeão quanto o Santos, que afinal ficou com a taça. Digo isso sem qualquer populismo ou condescendência. Afinal, quem deu esse “título” ao time de Osasco foram os próprios jogadores do Santos que, após a dura vitória por 1 a 0, foram aplaudir os adversários quando estes recebiam o troféu e as medalhas do 2º lugar. Um 2º lugar, repito, que equivale quase ao 1º. Poucas vezes vi homenagem tão bonita dos jogadores aos colegas, que foram derrotados porém caíram em pé.

Tenho andado muito pela Vila Belmiro e também poucas vezes assistir a um time encarar o Santos, lá dentro, com a personalidade do Audax no segundo jogo das finais. Foi melhor que o time da casa no primeiro tempo e, mesmo no segundo, chegou a ameaçar mais que o mandante.

Claro, o Audax não é um time perfeito. Mostra falhas. Arrisca-se muito ao sair jogando e tem tomado gols dessa forma. Foi assim no primeiro jogo com o Santos e em partidas anteriores, como aquela contra o Corinthians. Também se mostra vulnerável demais aos contra-ataques rápidos, como aquele em que Ricardo Oliveira liquidou o jogo, num lindo gol, aliás.

No entanto, as virtudes do Audax são muito maiores que seus pontos fracos. Mostrou um futebol bonito e eficiente. Altivo. Não chegou por acaso à final. E, por pouco, não levou o título. Pelo que apresentou em campo, teria sido um resultado normal.

Acontece que o Santos, em especial quando joga em casa, é osso muito duro de roer. Por algum motivo, seus jogadores, geração após geração, sentem-se muito à vontade no lindo estádio da Vila Belmiro. Parecem conhecer aquele gramado como suas casas. Poderiam jogar no escuro, se quisessem. E tiram o melhor de si mesmos diante de uma torcida enjoada às vezes, mimada por um passado de muitas glórias, porém intensa. Perguntem a qualquer adversário do Santos se gostam de atuar na Vila…Nenhum deles gosta. Ao descer a serra, já vão pensando no que terão pela frente.

Não sei se isso aconteceu com maior ou menor intensidade com os boleiros do Audax. O fato é que, em campo, não mostravam qualquer tipo de temor. Pelo contrário. Conseguiram acuar o favorito ao título e quase levaram a taça principal. Por isso falo em “campeões”. O Audax jogou com autoridade e é um verdadeiro campeão nesse sentido.

É muita pena que um time como esse seja provisório e vítima do seu próprio sucesso. Mesmo antes da final do Campeonato Paulista, vários jogadores estavam negociados com outros clubes. A grande novidade entre os técnicos, Fernando Diniz, também tem destino incerto.

No fundo, dependendo da escala, é o destino de todos os clubes brasileiros. Ou alguém já esqueceu o desmanche sofrido pelo Corinthians no final do ano, com seu time campeão sendo depenado pelo mercado chinês? O próprio Santos deverá vender alguns dos campeões na fatal janela de meio do ano, como são os casos mais notórios de Gabriel e Lucas Lima. Pode ainda perder outros atletas porque o futebol brasileiro está sempre à venda.

De modo que não estranhamos que um time como o do Audax tenha brilhado como cometa e suma no horizonte sem deixar traços. Tudo é efêmero no ex-país do futebol. Mesmo o próprio país.  

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