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Os personagens da semana

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 20h33

19/6/2007

Se tivesse que escolher o personagem do fim de semana, votaria em Paulo
Baier. Como deve ter sido doce a noite de domingo de Baier! Depois de deixar
o Palmeiras por salários atrasados, comandou o triunfo do Goiás contra o
ex-time. Quando lhe perguntaram se a vitória tinha sabor especial, Baier deu
a resposta convencional: nada disso, o Palmeiras é um adversário como outro.
Pode apostar no contrário. É tão doce o sabor da vingança que Baier
reservou-o só para si, sem compartilhá-lo com ninguém. Na resposta banal,
também influi o raciocínio politicamente correto que manda jamais tripudiar
sobre o adversário. E acrescente-se uma razão profissional: nunca se deve
fechar uma porta, mesmo que já tenhamos passado por ela uma vez.
Também convencionais devem ser as declarações de outro personagem do fim de
semana, o atacante Robinho, do Real Madrid, que se sagrou campeão espanhol
no domingo. Enfim liberado, e com seu primeiro título europeu em mãos,
Robinho vem se juntar à “família Dunga”, expressão que (juro!) ouvi de um
repórter na emissora oficial da seleção. Alguém pergunte a Robinho sobre o
caso com a CBF e dirá que o sonho de todo jogador é defender a seleção
brasileira e ele não é diferente dos demais. Palavras vazias.
Seja como for, Robinho chega como “o” astro da equipe, dadas as defecções de
Ronaldinho e Kaká. Apresenta-se por cima, pois fez exatamente o que queria.
Defendeu seu clube, ganhou a taça e não teve de desistir da seleção. Ficou
na sua e, com um belo drible de corpo, deixou que a CBF batesse de frente
com o Real Madrid. Com o resultado que se previa: a entidade brasileira foi
obrigada a enfiar o rabo entre as pernas e aceitar o atleta apenas após o
jogo contra o Mallorca. Como, aliás, recomendava o elementar bom senso. Mas
bom senso, como se sabe, não costuma conviver bem com a arrogância. Enfim,
devemos ao “caso Robinho” essa boa lição à CBF. Uma coisa é peitar os
submissos clubes brasileiros, várias vezes prejudicados por convocações
inoportunas como bem lembrou Antero Greco em sua coluna. Outra, bem
diferente, é sair no braço com europeus cheios de grana e força política.
Bater em fraco é mole…
O outro personagem eu não sei quem é. Mas imagino que deva sair do principal
jogo da semana, Grêmio x Boca na decisão da Libertadores. Quem será? Se
Riquelme repetir a atuação da última quarta, será ele não apenas o
personagem da semana, mas o próprio símbolo desta Libertadores. É um dos
últimos craques em atividade no continente e já com data de vencimento por
expirar: disputado o último jogo, volta ao seu clube, o Villarreal, que o
emprestou (por muito ouro) ao Boca Juniors. Mas esse personagem pode ser
também o habilidoso Palácios ou o matador Palermo, que todo mundo (aqui no
Brasil) acha meio grossão, mas sabe botar a menina lá dentro.
Se Riquelme se despede do Boca e quer fazê-lo com um título, do outro lado
há Lucas, na mesma situação. O garoto joga amanhã, com o futuro já em vista
em Liverpool, seu primeiro passo na Europa. O torcedor gremista bem poderia
sonhar com uma grande atuação de Lucas e, por que não?, de Carlos Eduardo e
de toda a equipe. Uma atuação tão magnífica que seja capaz de virar o
indigesto placar trazido da Bombonera. Mas, nesse caso, o “personagem” da
semana talvez venha a ser uma coletividade. A torcida do Grêmio, que
continua acreditando no título, contra todas as evidências do bom senso.
Paulo Baier pode não confessar, mas é doce como mel o prazer da vingança

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