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Otimismo e senso crítico

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h58

A primeira coluna do ano obriga a certo otimismo. Afinal, para que já começar um período novinho em folha com nuvens negras em cima da cabeça? Já bastam as que nos tem mandado o estranho clima deste planeta, com morte e destruição. Mas também não podemos cair em outro extremo e perder o senso crítico, dando uma de Poliana, aquela menina que sempre encontrava o lado bom, mesmo que ele não existisse.
Assim, equilibrando as coisas, não custa desejar que nossos clubes contratem bem, e, dentro das suas possibilidades, proporcionem alguma alegria em 2010. Tomara os propalados “reforços” venham mesmo para reforçar os times e não apenas para dar entrevistas, esquentar o banco ou ocupar o departamento médico.
Desejo também que os veteranos que para cá retornarem dêem tão certo (ou pelo menos cheguem perto) de Ronaldo, a melhor aposta do Corinthians na última temporada. E se Ronaldo foi um sucesso para os corintianos e Pet para os flamenguistas, por que os santistas, por exemplo, não podem esperar que Giovanni resolva aquele meio de campo aparentemente sem remédio do time da Vila? É ter fé…e um pouquinho de sorte.
De qualquer forma, todos os times, de ponta ou não, terão o “seu” veterano, pois, com o nível técnico atual do futebol brasileiro, as carreiras profissionais se alongam além da conta por aqui. Basta lembrar o que houve com Romário, eternizado como artilheiro em idade já quase provecta, e também com Marcelinho Carioca, Marcelinho Paraíba, Edilson e outros, quase quarentões e ainda em franca atividade. Bem, nem tão franca assim, mas de qualquer forma, entram em campo, jogam e, de vez em quando, encantam. O melhor jogador do ano passado foi o sérvio Petkovic, lembram? Agora o Corinthians traz de volta Roberto Carlos, para atuar ao lado do Fenômeno.
Então convém não desdenhar dos nossos “velhinhos”, valiosos pelo menos para consumo interno. Pois, para a Copa, dificilmente eles irão. Mesmo o mais badalado dos masters, Ronaldo, parece carta fora do baralho de Dunga. Se nos debilitados campeonatos internos do Brasil os veteranos ainda dão conta do recado, numa competição de alto rendimento isso fica mais difícil, senão impossível. São apenas sete jogos e os atletas têm de estar, desde o início, na ponta dos cascos.
Pelo menos em tese deveriam. E estarão, caso a lição negativa de 2006 for seguida. Não tenho ideia se o Brasil vai ganhar a Copa (acho que está entre os favoritos). Mas tenho a esperança de que um fiasco como a da Alemanha não se repita. Até para os padrões elásticos da CBF pegou mal o descompromisso dos jogadores de 2006 com a seleção. Afinal, a “canarinho” vale literalmente ouro e não foi legal macular sua santa imagem com atacantes com físico de lutadores de sumô e defensores ocupados com o meião enquanto o adversário atacava. Sem contar a badalação e a farra, que ninguém é de ferro.
Diante disso, acho que teremos neste ano uma seleção que se leva a sério, como tivemos nas Eliminatórias. E, quando o Brasil se leva a sério, já é meio caminho andado. Esse é o limite do meu otimismo. E já não é coisa pouca, não.
Poderia também esperar um pouco mais de competência dos dirigentes e mais civilidade nas relações entre torcedores. Mas aí já seria querer demais. Uma coisa é fazer exercício de otimismo no início de ano, outra é dar uma de bobo. Um pouco de realismo não faz mal a ninguém.

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