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Palmeiras, time da moda?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h39

6/5/2008

Pelo menos no âmbito local, sim. Com o (temporário) declínio do São Paulo, a
modéstia de um Santos ainda buscando consistência e pouco disposto a gastar,
e o Corinthians focado em seu maior objetivo, a volta para a 1ª divisão, o
Palmeiras surge como o time badalado do momento. E não apenas porque ganhou
o título paulista, embora um troféu alivie muitas pressões. É que o clube de
Parque Antártica parece decidido mesmo a encerrar uma fase provinciana e
reencontrar-se com sua história.
De que maneira? Pelos caminhos mais prosaicos, mas os únicos que costumam
dar certo. Esses caminhos, no futebol moderno, passam pelo planejamento e
pelo investimento. O Palmeiras conseguiu uma parceria forte e trouxe a
melhor comissão técnica disponível. Contratou bons jogadores e solidificou a
base deixada por Caio Jr. De passagem: a vida é delicada. Se Caio Jr. não
houvesse perdido a classificação da Libertadores para o Atlético Mineiro,
dentro de casa, talvez tivesse ficado e essa história estaria sendo hoje
contada de outra maneira. Não foi o que aconteceu. Caio não agüentou o
desgaste e saiu. Agora está assumindo o Flamengo para substituir Joel.
Voltas da vida.
E, numa delas, Luxemburgo voltou para o Palmeiras e conquistou mais um
título pelo clube. Entendo que dois dos grandes tinham mais interesse que os
outros em faturar esse Paulistão – o Corinthians, que assim ganharia moral
para enfrentar a dura parada da Segundona, e o Palmeiras, que sairia da fila
e assim teria paz para realizar seu planejamento de longo prazo. Como se
sabe, o futebol é imediatista (não deveria ser, mas é). Se, depois de perder
a Copa do Brasil por goleada, o Palmeiras ainda tivesse deixado escapar o
título para a Ponte, não faltariam corneteiros para trombetear que o
dinheiro estava sendo mal aplicado, etc. Como sabem os palestrinos mais
avisados, cornetas e amendoim já demoliram muito trabalho sério no Parque.
Dessa forma, o Palmeiras ganha fôlego para se concentrar no Campeonato
Brasileiro, que começa neste final de semana. O time está bem estruturado,
chega moralmente fortalecido pelo título e pode ir acumulando pontos no
início de temporada, enquanto alguns dos seus principais adversários na
competição estiverem focados no objetivo maior que é a Libertadores. Isso,
caso passem por seus adversários do meio de semana, o que parece provável.
Com o caminho amaciado pelo título, o Palmeiras pode pensar no futuro com
mais tranqüilidade. E esse futuro vai das reformas do Parque Antártica,
transformando-o em arena, à volta à Libertadores. Não ficaria surpreso se
esse círculo virtuoso incluísse um título brasileiro. Mas aí a coisa
engrossa, pois, além dos concorrentes paulistas, o Palestra terá de encarar
times igualmente bem montados, e de tradição, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro
e Internacional, para ficar nos mais óbvios. Na verdade, o Brasileirão é um
dos campeonatos mais exigentes e equilibrados do mundo. Ao contrário do que
acontece na Europa, aqui não tem jogo fácil e são vários os competidores que
iniciam a temporada na condição de “favoritos”. O Palmeiras é, desde já, um
deles.
E quanto à Ponte? Devemos detoná-la porque perdeu? Não. Seria esquecer a boa
campanha, o time bem ajustado e de futebol bonito que, afinal de contas,
chegou a uma final. Mas não dá para ignorar que entrou para essa decisão com
a força de uma cambaxirra. Fraquinha, fraquinha, a Macaca não deu qualquer
trabalho ao Palmeiras. O que dizer de um time que, em dois jogos, um em casa
e outro fora, leva seis gols e não marca nenhum? Desse jeito, são mais 108
anos sem título.

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