As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Para quem torcer nesta reta final

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 21h12

Pronto, faltam apenas dez rodadas e agora sim podemos dizer que o Campeonato Brasileiro de 2008 entrou na reta final. Para quem vamos torcer? A resposta parece óbvia: pelo nosso time, é claro. Mas suponha, leitor, apenas como hipótese, que seu time não esteja disputando nada. Não briga pelo título. Não está ameaçado pelo rebaixamento. O máximo que almeja, digamos, é uma vaga na Sul-Americana. Ou seja, não almeja a nada. Você está livre para torcer, simplesmente, pelo bom futebol. Pelo jogo, em si. É por ele que você vai torcer? Se você respondeu que sim, sinto muito dizer, mas seu caso é difícil.

Qual é o grande time da atualidade no futebol brasileiro? Nenhum. E não vou ficar aqui repetindo os motivos, porque não agüento mais a mesma ladainha. Fiquemos apenas com o óbvio, que Nelson Rodrigues gostava de adjetivar de “ululante”. Não existem mais grandes times no futebol brasileiro. Vivemos um momento de futebol de segunda linha, mediano, sem grandes expressões individuais. Ou alguém aí é capaz de dizer, com antecedência, qual é o craque deste campeonato? Acho difícil, mesmo porque não existem craques em atividade no futebol brasileiro. Pelo menos um daqueles craques para valer, craque mesmo, acima de qualquer controvérsia.

E, na inexistência deles, desapareceu aquela história de ir a campo (ou ligar a televisão) para ver determinado jogador – seja ele do nosso time ou não. Por exemplo, mesmo quem não era santista ligava-se nos jogos do Santos para ver Robinho e Diego fazer suas diabruras em campo. Mesmo quem não era corintiano admirava o futebol técnico e raçudo de Tevez. E, ainda que o brilho pudesse às vezes ser enganoso, como sustentam hoje alguns “especialistas”, Valdivia chamava a atenção, inclusive a de quem não era palmeirense. Mesmo esses, vale dizer, não eram considerados craques-craques, jogadores acima do bem e do mal. E quem sobrou, mesmo nessas condições? Ninguém. Os nossos times são conjuntos mais ou menos homogêneos, diria um otimista. Ou opacos, sustentaria um pessimista. Não apresentam nenhum destaque individual, eu diria. Pelo menos nenhum notável.

De toda forma, estão aí os times candidatos ao título, oferecendo pouquíssimo brilho para encher os olhos de quem gosta de futebol acima das paixões clubísticas. Mesmo assim, sem encantar, chegando perto do troféu estão Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, Flamengo, São Paulo. Por mim, pode ganhar qualquer um. Pensando bem, não vejo grande diferença entre eles. Pequenas diferenças sim, inclusive no estilo de jogo. Mas nada que possa justificar aquelas belas palavras, repetidas (à maneira dos papagaios) a cada final de temporada: “Foi um título merecido!” Bem, e se fosse um outro, seria uma injustiça, por acaso? Que nada, diriam também que foi “merecido”, e assim por diante. Não existe nenhuma diferença de nível tão grande entre um time e outro que possa indicar qualquer “merecimento” antecipado.

Eu já escolhi para quem vou torcer neste desfecho de campeonato. Ou melhor, para o que vou torcer: por uma reta final embolada, de preferência com título, classificados para a Libertadores e rebaixados definidos na última rodada. Melhor ainda se for no último minuto da última rodada. Já que não temos mesmo qualidade, que ao menos nos seja servido o prato quente da emoção.

(Coluna Boleiros, 7/10/08)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: