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Paulistas e cariocas

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 14h15

Talvez seja uma radiografia significativa do atual futebol paulista o fato de o limitadíssimo Corinthians ser o único dos grandes a figurar no chamado G4 – os quatro que hoje iriam às semifinais do campeonato. O fato é que o Coringão chegou lá porque Mano Menezes montou uma defesa confiável, muito difícil de ser vencida. Não por acaso, o Corinthians é o menos vazado, tendo tomado apenas seis gols em onze jogos. O problema é do meio para a frente, um time que cria pouco e marca menos ainda: apenas 12 gols, número que o iguala, em artilharia, a alguns dos piores colocados, como o Juventus e o Paulista. Não tomar gols é a prioridade. Se der para fazer um golzinho lá na frente, melhor. E assim o Corinthians vai subindo na tabela.
Mesmo porque aqueles que seriam seus principais rivais ainda estão devendo. O São Paulo, que começou o ano com a fama de “time pronto”, parece na verdade bem mais fraco do que em 2007. O novo Palmeiras de Luxemburgo, o que mais investiu e contratou, ainda não deu liga. Oscila demais, o que talvez seja normal, mas um campeonato de tiro curto, como o Paulista, não dá muita margem a erro. Quando se acorda, às vezes já é tarde demais – o que pode ter acontecido com o Santos que, pela primeira vez este ano, apresentou meio tempo de bom futebol. O suficiente para, com dez jogadores, golear o Ituano.
Esses resultados decepcionantes já começam a produzir seus efeitos. Claro, não se pode, nem de longe, falar em fritura de Vanderlei Luxemburgo no Palmeiras, ou de Muricy Ramalho no São Paulo. Ambos atingiram tal status no futebol brasileiro que se tornaram praticamente blindados contra maus resultados, pelo menos durante algum tempo. No entanto, os presidentes de São Paulo e Palmeiras já vieram a público para dizer que esperavam mais dos seus times neste início de temporada. Esse tipo de declaração do cartola é feito para ir à mídia e dela retornar, como recado, ao interior do clube. Tradução: os presidentes não estão vendo grande empenho por parte dos seus elencos. Pode não ser só questão de empenho. Raramente é só isso. Mas motivação é um dos componentes fundamentais do futebol – e de todo o resto.
Coisas do Botafogo
Fiquei sensibilizado com a revolta do Botafogo depois da derrota para o Flamengo por 2 a 1. Jogadores, o técnico Cuca e o presidente Bebeto de Freitas não escondiam as lágrimas pela perda da Taça Guanabara. Não vi o jogo inteiro, mas assisti ao compacto. Vi e revi os lances polêmicos e não entendi o teor das reclamações. O pênalti a favor do Flamengo parece claro, Ferrero só faltou tirar a camisa de Fábio Luciano dentro da área. Já o pênalti pedido pelo Botafogo obviamente não existiu. Acho que o juiz fez lambança nas expulsões. Enfim, com razão ou sem razão, a sensação de injustiça é uma das mais terríveis no futebol, e na vida. Parece que todo um trabalho sério é jogado fora por força do arbítrio (êpa!) de um agente externo.
Passada a raiva, o Botafogo não deixará de lembrar as vezes em que também foi beneficiado pelo apito. Basta refrescar a memória e lembrar do Campeonato Brasileiro de 1995, por exemplo. Espero que Bebeto de Freitas recobre a serenidade e volte atrás em sua decisão de renunciar ao cargo de presidente. É um dos poucos cartolas decentes deste país.
Mas por que pensar em tudo isso e esquecer o jogaço, a vitória de virada do Mengo, o belo gol de Tardelli já nos acréscimos, a agonia da bola na trave, cabeceada por Fábio, no último lance do jogo? E o Maracanã lotado? Não há nada mais lindo. Os cariocas sabem fazer uma festa como ninguém. O Campeonato Carioca vale por dois e os torcedores deliram. Um idiota da objetividade diria que no domingo se decidiu apenas o primeiro turno. Vá dizer isso a um torcedor do Flamengo. Duvido que o jogo final do Campeonato Paulista tenha a mesma empolgação que essa decisão do primeiro turno dos cariocas.

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