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Pensar pequeno, agir grande

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h01

No futebol, assim como em outras disciplinas exatas, há um consenso sobre a necessidade de pensar grande. Quem pensa pequeno, dança. Na vida, no amor, no emprego. Pois bem, há um time que vem se dando bem exatamente porque pensa pequeno. Vocês já adivinharam que estou falando do Avaí. Ia escrever que o Avaí era a nova “coqueluche” do campeonato, mas pegaria mal usar esse termo para um time que vem, de forma seguida, pregando – e agindo – com a mais absoluta humildade e low profile.
Tanto assim que, quando perguntam ao técnico Silas qual é seu objetivo, se ficar entre os primeiros, beliscar uma vaga na Sul-Americana ou até mesmo na Libertadores, ele se limita a responder: “Nosso objetivo é não cair”. Ele fez as contas e, baseado nos campeonatos anteriores, definiu certo número de pontos que o garante livre do rebaixamento. Quando chegar a essa soma, poderá se permitir a outros sonhos. Por enquanto, não.
Acontece que, hoje, o Avaí é o quarto colocado. Está na zona de classificação para a Libertadores, o sonho de consumo de todos os clubes grandes do País. Ninguém sabe se vai se manter por lá. Mas já estamos no segundo turno e o time catarinense não chegou lá por acaso. Tem conseguido resultados incríveis e nós, autocentrados em nossos clubes de larga tradição, não temos prestado muita atenção ao fenômeno. Quando arrancou um empate contra o Santos na Vila Belmiro, depois de estar perdendo por dois gols de diferença, todo mundo diagnosticou um vacilo do Peixe. Ninguém viu os méritos do Avaí. Mas devemos abrir os olhos para enxergar um time que, sem ser brilhante (e qual dos nossos é?), parece muito bem montado e sabe o que faz e quer dentro de campo. Neste fim de semana, sapecou 3 a 0 no Flamengo na Ressacada e já ninguém parece ter se espantado, a não ser os rubro-negros.
Não sei como acabará o campeonato, ninguém sabe se irão prevalecer os vencedores de sempre. Mas o fato de a hegemonia ser ameaçada por estranhos no ninho não deixa de ser uma novidade e, como tal, estimulante. Há mais um motivo para simpatizar com o Avaí, caso não houvesse outros. É o time do Guga. Existe algum brasileiro que não goste dele?
Juízes
Eu sei que pega mal falar de arbitragem, já que meus colegas decretaram que é perda de tempo, inutilidade, coisa contraproducente, falta de assunto, etc. Tá legal, eu aceito o argumento, diria o vascaíno Paulinho da Viola: eles erram para todos os lados, então tudo se compensa no final, pois o campeonato é de pontos corridos, etc…Será que é assim mesmo? Será que é melhor calarmos diante do aconteceu no Pacaembu em Corinthians 3 x Botafogo 3, com tantos erros grotescos e acumulados? Será que podemos nos conformar com placares sistematicamente alterados pela arbitragem? Será que validar gol de mão, achar pênalti onde não existe e deixar de dar os pênaltis existentes, atrapalhar-se com a lei de impedimento e otras cositas más, nada disso altera o resultado dos jogos? Ou – última pergunta, prometo – teremos de admitir que o futebol é mesmo um jogo peculiar, diferente de todos os outros, no qual a arbitragem faz parte dos fatores que determinam a vitória, o empate ou a derrota?
Pesadelo carioca
Cada um deles terá seus motivos, mas o fato é que os cariocas estão afundando neste campeonato brasileiro. Botafogo e Fluminense, na zona de rebaixamento; Flamengo caindo a olhos vistos. O único que brilha, inclusive por sua torcida, é o Vasco. É o único que pode garantir que estará na Primeira Divisão no ano que vem.

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