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Período de graça

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h23

5/2/2008
Quando entra um novo governo, costuma-se dizer que tem cem dias de “período
de graça’’. É o tempo de tolerância que a opinião pública lhe dá para que
comece a produzir resultados. Depois disso, se as coisas não mostram
qualquer mudança em relação ao anterior, começa o pau. E no futebol, qual
seria o tempo justo para o período de graça? Pergunto porque já passamos da
sexta rodada do Paulistão e nenhum dos grandes apresenta desempenho
satisfatório. Nem mesmo o São Paulo, o único atualmente a ocupar uma das
quatro vagas para a fase final do torneio. O Tricolor tem, como de hábito, a
melhor defesa, só que o ataque continua inapetente. Marcou apenas sete gols,
média muito baixa, frustrando quem esperou demais de Adriano. Mesmo assim, o
São Paulo está lá, nas cabeças, como sempre, seguindo o estilo pragmático de
Muricy.
E se o São Paulo não está tão bem, o que dizer dos outros? Talvez a maior
decepção, até agora, seja o Palmeiras, pelo volume de investimentos, a
começar pela contratação de Luxemburgo que, como sabemos, só amarra o barco
em porto rico. Só que o time continua desequilibrado, com problemas
defensivos e ataque pouco inspirado.
Achei até curiosa a tranqüilidade de Luxa depois da derrota para o Noroeste.
Parecia até outra pessoa, e não aquele treinador que não aceita outra coisa
que não seja a vitória. Cadê o brilho nos olhos? Ou será que considera o
Paulista, onde vegeta na 11ª posição, apenas um laboratório onde irá
cozinhar uma equipe vencedora para a Copa do Brasil e o Campeonato
Brasileiro?
Já as dificuldades do Corinthians pareciam as mais previsíveis. Afinal,
trocou quase o time todo, e tinha de fazer isso mesmo pois a equipe do ano
passado, rebaixada, foi uma das piores da história do clube, rivalizando com
o mitológico Faz-me Rir. Mano está tentando montar um time literalmente
forte para o principal objetivo, que é voltar à elite do Campeonato
Brasileiro. Mas o ataque é bem fraco, com seis gols contabilizados e há três
jogos na seca. Acosta fez um golaço logo no início do campeonato e depois
refluiu. Apagou-se. Patina na 10ª posição. Nem cá, nem lá.
O Santos é o caso mais grave entre os quatro grandes. Digo isso porque
dispunha de boa base vinda do ano passado e portanto não era para estar
nessa situação, na zona de rebaixamento. Se o time não chegou a encantar em
2007, pelo menos fez boa campanha ao longo do ano.
Foi bicampeão paulista, chegou às semifinais da Libertadores e ao vice
brasileiro. Se mantivesse a base, contratasse um ou outro reforço e fosse
lançando aos poucos os novatos seria candidato a todos os títulos que
disputasse. Fez tudo ao contrário. Desmontou-se, não contratou ninguém de
peso e agora atira os meninos às feras, atabalhoadamente, por pura falta de
opção. O Santos é um exemplo de falta de planejamento para ser estudado em
faculdade.
Na minha opinião, o período de graça acabou. Já está mais do que na hora de
os grandes apresentarem coisa melhor.
SELEÇÃO DE DUNGA
Dunga não tem nenhum culpa de Pato e Kaká se machucarem. Agora, ou ele está
enxergando alguma coisa que ninguém vê ou a convocação de Bobô,
ex-Corinthians e hoje no Besiktas, deve ser considerada, no mínimo, como
exótica. Pode ser que o simples fato de atravessar o Atlântico aprimore
demais o futebol dos brasileiros, mas eu me lembro de Bobô como um dos mais
medíocres atacantes que já passaram pelo Corinthians. Melhorou tanto assim?
Dizem que lá ele está marcando gols. Fez 45 em 70 jogos pelo time turco.
Seria o novo Afonso?

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