As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Pimenta sim, mas sem exageros

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 14h31

27/2/2007

A semana promete ser das mais interessantes. Se o Palmeiras aliviou um pouco
a barra com a vitória sobre o São Caetano, o Corinthians continuou a marcar
passo no empate com o Rio Branco em pleno Pacaembu. Na quinta-feira precisa
se desvencilhar do Pirambu para seguir na Copa do Brasil e, no fim de
semana, tem o clássico contra o arqui-rival Palmeiras.
O Corinthians tem ainda uma eleição hoje, para aquecer seu já conturbado
ambiente político, e mantém o técnico Emerson Leão sob fogo cruzado. Com seu
gênio difícil, Leão anda encrencado com seu próprio elenco, com a diretoria
do clube e também com a imprensa, com a qual não consegue estabelecer um
relacionamento normal. O Palmeiras ganhou um refresco com a vitória magra e
a boa atuação de Valdivia, cujo apelido, “El Mago”, já começa a ser levado a
sério no Parque Antártica. Mas o que restará dessa trégua em caso de derrota
para o Corinthians? Assim, são dois times em instabilidade que se encontram
domingo no Morumbi.
Todos esses ingredientes estarão presentes no clássico, o que servirá para
apimentá-lo mais do que o normal, tomara que não mais do que o necessário
para se transformar em jogo bem disputado. Futebol sem rivalidade não tem
graça, vira casados e solteiros em domingo de churrasco e cerveja. Já o
excesso de rivalidade pode transformar uma partida em guerra, e ninguém quer
isso, não é?
O fato é que os ânimos estão acirrados, como em geral acontece no futebol,
ainda mais em situações de tensão como as que vivem esses dois clubes de
tanta tradição. Deve haver alguma razão para isso, mas o futebol é o palco
ideal para julgamentos rápidos, sumários mesmo, e para destemperos de todo o
tipo. Leão está sendo apontado como o vilão da hora. Mas, como diz o
Evangelho, quem se habilita a atirar a primeira pedra? Será que ele foi o
primeiro ou será o último a tratar de maneira inadequada seus atletas, a
reclamar sistematicamente da arbitragem, a se indispor com a imprensa? Claro
que não.
Nas relações humanas, no futebol ou fora dele, a cortesia deveria ser a
regra. Não é assim, que pena. E, no futebol, às vezes entendemos a
truculência como uma virtude, a associamos à “raça”, à determinação, ao amor
à camisa, ao sentido de disciplina. Pergunte a um torcedor (ou mesmo a
alguns comentaristas) se às vezes um time que está jogando mal não precisa
de um treinador tipo sargentão. Na maioria dos casos a resposta será a
afirmativa.
Mas voltando a Palmeiras e Corinthians. Os dois, até domingo, deverão
definir seus destinos, pelo menos neste início de temporada. Será que dá
para se classificar entre os quatro que irão à disputa do título? Em teoria
sim, há tempo suficiente e pontos em aberto para isso. Mas, para chegar lá,
terão de jogar um futebol que, até agora, não apresentaram.
A situação não deixa de ser curiosa. No começo do campeonato não faltou quem
profetizasse que os grandes já tinham vagas garantidas e que os pequenos
entrariam como meros coadjuvantes. Lutando contra o rebaixamento ou, no
máximo, brigando por uma das quatro vagas da disputa do título de “campeão
do interior”.
O que ninguém podia (ou queria) prever é que, passada mais da metade da fase
de classificação, dois times do interior, Paulista e Noroeste, estariam
ocupando vagas em tese destinadas aos “grandes” por direito divino, como nas
monarquias.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.