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Pintou o campeão?

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h01

Amigos, claro que posso estar enganado, mas dois times me impressionaram nesta última rodada e acho que ambos têm cheiro e pedigree de campeão. Refiro-me, claro, a Vasco da Gama e São Paulo.
Ambos protagonizam, por caminhos diferentes, os jogos mais eletrizantes da rodada. O Vasco fez uma exibição sinfônica sobre o pobre Cruzeiro e o solista desse concerto foi Diego Souza, com três gols, um mais bonito do que o outro, o terceiro simplesmente de placa. Já no São Paulo, o que me impressionou foi a entrega, a disposição de buscar um resultado melhor depois de estar perdendo por dois de diferença, e no campo do adversário ainda por cima. Se Rivaldo tivesse acertado aquele toque por cobertura, e proporcionado a virada ao seu time, o jogo entraria para a épica do Morumbi. Mesmo o empate foi notável.
Os dois times, Vasco e São Paulo, mostraram categoria, recursos e, acima de tudo, alma – que é o que decide um jogo ou um campeonato. Não estou dizendo que basta ter alma para que um agrupamento de cabeças de bagre se torne campeão. Mas é preciso ter alma para que um bom time se erga acima de suas possibilidades e chegue ao título. Vasco e São Paulo insinuaram, nessa rodada, que têm essa característica. Se mantiverem a chama, acho que vão levar a disputa pelo título brasileiro de 2011 palmo a palmo, até o final.
Digo isso embora o Corinthians esteja em segundo lugar, um ponto acima do São Paulo e dois atrás do Vasco. Mas, sinto, não vejo no Corinthians a mesma disposição, o mesmo estado de ânimo férreo que pode conduzir ao título. Friamente falando, é claro que está no páreo, mas o time de Tite me parece burocrático demais para um verdadeiro campeão. Enfim, daí a importância do jogo de domingo próximo entre o Timão e o Vasco, em São Januário. A partida tem ar de decisão – uma das tantas decisões de que é tecido um campeonato por pontos corridos.
Se vencer, ou mesmo empatar, o Corinthians pode botar um pouco de água na fervura vascaína. Mas, se o Vasco vencer, abre vantagem considerável. E, quando digo vantagem, não me refiro apenas à pontuação, mas à força moral que exibiria diante dos concorrentes diretos. É jogo para não se perder de jeito nenhum.
De qualquer forma, no seu jeito marcha lenta, o Corinthians, com a sofrida vitória sobre o Bahia, se mantém no páreo. O próximo jogo será decisivo para avaliar melhor suas pretensões.
E, falando nisso, o que dizer das pretensões dos outros paulistas? Bem, o Santos mostrou, sábado contra o Figueirense, uma quase total incapacidade de criação. Colegas têm falado na dependência de Neymar. Claro, mas convém lembrar que o time também não tinha Ganso e nem Elano. Ninguém para criar. Limitou-se a chutões, ligações diretas e chuveirinhos – provas definitivas da insuficiência de criatividade. Muricy diz que não jogou a toalha. Parece cada vez mais óbvio que não conta mais com o título, mas precisa manter a motivação do time em velocidade de cruzeiro para não ser pego na pasmaceira quando tiver de jogar o Mundial no Japão em dezembro. Foi o que aconteceu com o Internacional de Porto Alegre no ano passado, com o desfecho que conhecemos.
E quanto ao Palmeiras? Pode-se perguntar como um time pode tomar um empate diante de um adversário com dois jogadores a menos. O Palestra realizou a façanha. Quando terminou o jogo, fiquei ligado na TV esperando a coletiva de Luis Felipe Scolari. E Felipão não decepcionou. Quando alguém lhe perguntou o que faltava ao Palmeiras, respondeu que talvez faltasse um bom técnico. Ironias à parte, a frase talvez revele o mal-estar existente no clube. O Palmeiras parece minado pelas disputas internas. Por isso a equipe mostra-se sem fôlego em campo. O time é apenas sintoma de um mal maior.

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