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Pobre seleção

Luiz Zanin Oricchio

25 de abril de 2013 | 11h06

Talvez fosse mais caridoso não escrever sobre o empate de ontem entre a seleção brasileira e a chilena. Em todo caso, cabem algumas considerações.

Claro, não era a seleção principal, porque faltavam os europeus. De toda forma, o que se viu foi um catado de jogadores, sem qualquer organização tática. A ligação direta entre defesa e ataque era a regra. Rifava-se a bola de qualquer jeito.

A torcida não teve a menor paciência com a seleção. Apesar dos jogadores do Atlético e do Cruzeiro em campo, vaiou adoidado. Até gritou olé nos minutos finais, quando os chilenos prendiam a bola.

O pessoal da TV estranhou. “A torcida desaprendeu de torcer pelo Brasil”. Por que será, Pedro Bó? Talvez porque a seleção tenha nos últimos anos se tornado estranha ao Brasil? Afinal, “nossa casa” não é em Londres? E os “nossos” jogadores não estão quase todos na Europa? É preciso ser muito inteligente para entender esse divórcio anunciado?

Há outro aspecto, porém. Esse pessoal que vai a jogo de seleção é bem diferente do torcedor comum. Comporta-se como consumidor. Se, por um milagre, a seleção tivesse dado show, teria saído aplaudida. Foi mal, tome vaia. Ninguém tem uma ligação, digamos, ideológica com a seleção. Essa ligação umbilical foi cortada. Não sei se pode ser reparada.

De modo que só existe um meio para a Copa do Brasil não ser um fiasco para a sua seleção – ela, por um milagre qualquer, voltar a jogar bem e ganhar seus jogos. Senão, será impiedosamente vaiada em seu próprio país. Ainda mais se o jogo for no Sul ou no Sudeste.

No Nordeste, e também no Norte, por alguma razão sociológica que me escapa, a reação é diferente. Talvez eles gostem mais do futebol do que o resto do país. Ou gostem de uma maneira diferente, mais tolerante.

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