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Por quem torcer na reta final

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h03

Pronto: faltam apenas dez rodadas e agora sim podemos dizer que o Campeonato Brasileiro de 2008 entrou na reta final. A resposta é óbvia: por nosso time, é claro. Sim, se é que o nosso está entre os possíveis candidatos a isso ou aquilo. Mas, me refiro a outro tipo de torcida, mais abstrata, digamos, aquela que não diz respeito a um time específico. A torcida dos que amam o futebol em si, além do seu clube do coração. Para ser mais específico: poderemos torcer pelo bom futebol? Para que vença o grande time, aquele que nos enche os olhos com seu jogo, embora não seja o nosso clube do coração?
Acho difícil. Qual é o grande time da atualidade no futebol brasileiro? Nenhum. E não vou ficar aqui repetindo os motivos, porque não agüento mais a mesma ladainha. Fiquemos apenas com o óbvio, que Nelson Rodrigues gostava de adjetivar de “ululante”. Não existem mais times grandes no futebol brasileiro. Vivemos um momento de futebol de segunda linha, sem grandes expressões individuais – ou alguém aí é capaz de dizer, com antecedência, qual é o craque do campeonato. Acho difícil, mesmo porque não existem craques em atividade no futebol brasileiro.
E, na inexistência de craques, desapareceu aquela história de ir a campo (ou ligar a televisão) para ver determinado jogador – fosse ele do nosso time ou não. Assim, mesmo quem não era santista se ligava nos jogos do Santos para ver Robinho, Diego & Cia. Mesmo quem não era corintiano, admirava o futebol de Tevez. E, mesmo que o brilho dele fosse enganoso, como sustentam alguns “especialistas”, Valdívia chamava a atenção, mesmo a de quem não era palmeirense. Quem sobrou, nessas condições? Ninguém. Os times são conjuntos homogêneos, como diria um otimista. Ou opacos, como sustentaria um pessimista. Ou seria realista? Nenhum destaque individual, eu diria. Pelo menos nenhum notável.
De toda a forma, estão aí os times candidatos ao título, oferecendo pouquíssimo brilho para encher os olhos de quem gosta de futebol acima das paixões clubísticas. Mas, mesmo assim, chegando perto do troféu: Palmeiras, Grêmio, Flamengo, São Paulo. Por mim, pode ganhar qualquer um. Não vejo lá grande diferença entre um e outro. Pequenas diferenças sim, inclusive no estilo de jogo. Mas nada que possa justificar aquelas belas palavras, repetidas (à maneira dos papagaios) a cada final de campeonato: “Foi merecido!”. Bem, e se fosse um outro, seria também merecido, e assim por diante. Não existe nenhuma diferença de nível tão grande entre um e outro para indicar tamanho “merecimento”.
Eu, em todo caso, já escolhi para quem vou torcer na reta final. Ou melhor, para o que vou torcer: por uma reta final embolada, de preferência com o título e os rebaixados definidos na última rodada. Melhor, no último minuto da última rodada. Já que não temos qualidade, que nos seja servido ao menos o prato da emoção.

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