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Primeiros passos da longa marcha

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 22h06

O engraçado é que depois de uma primeira rodada brilhante, a segunda ficou parecendo meio chocha, com alguns times se economizando para disputas mais prementes. Leia-se: Libertadores da América e Copa do Brasil, ambas em pleno mata-mata, fase da disputa em que qualquer vacilo é fatal. E, assim, o longo Campeonato Brasileiro pode ser deixado temporariamente em segundo plano por times como Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, São Paulo, etc. Mesmo que entrem com a equipe titular, como foi o caso do Corinthians contra o Botafogo, parece que não estão de todo lá. A cabeça vive em outra parte, em outro compromisso, em outra data. E, assim, o Campeonato Brasileiro teve, de forma prematura, certo sabor de rotina.

Ora, o que menos combina com futebol é a rotina. Procuramos num campo de jogo justamente aquilo que nos tira da aridez cotidiana. Buscamos paixão, entrega, beleza, emoções. Em suma, queremos a exceção e não a regra. Daí o gosto requentado de alguns dos jogos que vimos no fim de semana. Mas nem todos foram assim, afinal. Sem ser uma grande partida, gostei de ver Internacional x Palmeiras. Até pelo fato de a equipe gaúcha ter começado com os reservas e mostrar por que é considerada uma das favoritas, talvez “a” favorita ao título. Se com os reservas quase o tempo todo conseguiu bater o Palmeiras completo, o que não faria com a equipe titular? Deu gosto, em especial, ver o futebol desse menino, Taison, uma das boas revelações recentes. Não se vê toda hora uma entortada como a que ele deu no marcador antes de cruzar a bola para o gol de Danny Moraes. E, atenção: ele driblou com total desfaçatez ninguém menos que Pierre, o volante que melhor marca no futebol brasileiro.

Tudo somado, qual o resultado, até agora? Internacional e Vitória dividem a liderança, com 100% de aproveitamento. E o que isso quer dizer? Nada, ou pouca coisa, pois estamos apenas no segundo passo de uma longa marcha, como diria o camarada Mao. Acontece que passos e tropeços serão contabilizados no fim, pois sob o regime de pontos corridos todos os jogos se equivalem. O da primeira rodada vale tanto quanto o da última, os pontos conquistados num jogo fácil somam o mesmo que aqueles ganhos num clássico regional de vida ou morte.

Por isso mesmo seria interessante que times como o Santos, que irão disputar apenas o Brasileiro, aproveitassem para abrir vantagem enquanto rivais se ocupam com outras disputas. Mas os meninos (e também os marmanjos) de Vágner Mancini parecem não ter entendido o óbvio. Ou não deixariam escapar com tanta facilidade uma vitória que parecia fácil, em casa, contra o Goiás. Dois pontinhos que vão fazer falta.

ÍDOLOS

Dizem os que chegaram perto de Giselle Bündchen que sentiram uma anestesia temporária das funções intelectuais. Ídolos enfeitiçam. Ronaldo, presume-se que por motivos diferentes, produz o mesmo efeito. Hipnotiza até pessoas respeitáveis. Mesmo quando fala platitudes, parece exalar sabedoria. A última foi dizer que educa o filho na Espanha porque moleques brasileiros dizem muito palavrão. Em condições normais tal afirmação seria recebida com o riso universal. Talvez ainda fosse aceitável vinda de Kaká. Mas, de Ronaldo… No entanto, tal consideração é levada a sério, como diagnóstico da completa e irremediável falência moral do País. Francamente…

(Coluna Boleiros, 19/5/09)

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