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Quando o melhor não vence

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h05

Amigos, depois de ver os jogos dessa rodada, veio-me à cabeça uma frase de Winston Churchill. Esse paladino da liberdade, que conduziu seu país à vitória contra os nazistas na 2ª Guerra Mundial, disse um dia, entre uma baforada e outro do seu charuto de Havana: “A democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros conhecidos”. Bola na rede. Nada é perfeito, nos lembra Churchill, e, como a perfeição não é deste mundo, somos obrigados a escolher entre os males o menor. No caso de Churchill, a democracia, com todas as suas imperfeições; no nosso, meros e mortais boleiros, a disputa do Campeonato Brasileiro por pontos corridos.
Digo isso porque, após ver os jogos, que pus para gravar e vi depois, fiquei convencido de que o melhor time do Brasil não será o campeão do ano. Isso, contrariando todas as nossas convicções (minhas também) de que o sistema por pontos corridos é o mais justo, por premiar a regularidade e o desempenho ao longo de toda a competição e não apenas em seus momentos decisivos.
Em Uberlândia, o ainda favorito ao título, o Corinthians, deixava de abrir vantagem ao empatar, de modo medíocre, com o América Mineiro, o último colocado da tabela e virtual rebaixado. A uns 660 quilômetros de Uberlândia, o Santos derrotava o Vasco na Vila Belmiro. O Vasco, que é o mais diretor concorrente do Corinthians pelo título. Em ritmo lúdico, de brincadeira mesmo, o Santos transformou um jogo em tese sem interesse para ele num importante treino para o Mundial. Com Neymar mais uma vez em estado de graça e Ganso voltando com um bom jogo, o Santos sobrou. O placar poderia ter sido maior caso os companheiro de Neymar não desperdiçassem inúmeras chances proporcionadas pelos passes do garoto. Enfim, o melhor time do campeonato estava jogando, sem qualquer chance de título, na Vila Belmiro. Derrotava um dos sérios candidatos, o Vasco, enquanto outro, o Corinthians, afundava diante do lanterna.
E por que o Santos, que é o melhor time do campeonato, não vai vencê-lo? Ora, por razões que todos conhecem. Ressaca da Libertadores, muitos desfalques, abusos das seleções (principal e sub-20), etc. Há outro fator. O Santos jogou a toalha cedo demais. Se tivesse duas vitórias a mais, a esta altura do campeonato ainda estaria disputando o título. E, como voltou a jogar bem (porque nem sempre o melhor time é o que está jogando melhor) poderia atropelar e vencer seu nono troféu de campeão nacional. Abandonou a disputa quando ainda estava dentro dela, sem sabê-lo. Também, como poderia adivinhar a incompetência dos primeiros colocados?
Essa consideração seria uma defesa dos mata-matas contra o sistema de pontos corridos? Não.

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