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Quando o vento sopra a favor…

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 22h13

Leio que um grande público está sendo esperado para Corinthians x Fluminense, amanhã no Pacaembu. Em se tratando de Corinthians, isso nem seria notícia. Passa a ser porque o jogo, válido pelo Campeonato Brasileiro, começou a ser visto como comemorativo da conquista da Copa do Brasil. A torcida tem razão. Em geral, a torcida tem razão. Com exceção das chamadas “organizadas”, que não passam de torcidas profissionais, a torcida “normal” é uma espécie de opinião pública do mundo do futebol. Se ela está apoiando um time, um jogador ou uma gestão, é porque se sente bem representada por eles.

E, neste caso em particular, a torcida do Corinthians está coberta de razão. Quem diria, afinal, que esse time, recém-chegado da 2ª divisão, poderia ir tão longe e em tão pouco tempo? O simples fato de o Corinthians ter conseguido essa façanha mostra como é fascinante o mundo do futebol, com sua capacidade de enterrar e exumar ídolos, de ir ao fundo e escalar o abismo com a mesma velocidade. E aí está: o Corinthians venceu o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Já está classificado para a Libertadores no ano do seu centenário e pode conseguir – por que não? – o título brasileiro da Série A. Teria, assim, conquistado a chamada tríplice coroa, feito que o Cruzeiro conseguiu em 2003.

É engraçado como essas condições favoráveis se constroem, às vezes de maneira imperceptível, e só ficam evidentes quando surgem os resultados. Hoje é fácil falar bem do Corinthians como ontem era fácil falar bem do São Paulo. No entanto, o céu de brigadeiro que pairava sobre o Morumbi parece ter se mudado para a zona leste, em direção ao Parque São Jorge. Hoje o sol brilha sobre o Corinthians e as nuvens migraram para o São Paulo. Por que será?

Como tudo deu certo para um lado, procuramos explicações rápidas. Contou a manutenção do time básico, o trabalho sólido de Mano Menezes, a boa gestão de Andrés Sanchez, a esperta contratação de Ronaldo, etc. Do outro lado, como não houve desmanche do elenco e a diretoria continuou igual, com aquele mesmo ar senhorial e superior, falou-se em “fadiga do material”. Coisa do tipo: o São Paulo ganhou tanto, e de maneira tão seguida, que cansou…Sobrou para o Muricy, já que não dava para mandar todo mundo embora e a diretoria não iria autodissolver-se. Explicação tão boa como qualquer outra.

Longe de mim negar as virtudes de um trabalho bem feito e paciente. Mas acho que, nesses casos, entra também um pouco de acaso e sorte. Como se, de repente, tudo encaixasse de maneira mágica e abrisse um ciclo virtuoso, de vitórias seguidas, conquistas, que traz otimismo, dinheiro, leva a novas vitórias e assim por diante; ciclo que pode durar mais ou menos, mas que acaba sempre passando. E deixa uma saudade…

VENTO CONTRA

Por outro lado, quando venta contra, sai de baixo. Vi o jogo entre São Paulo e Coritiba e achei o Tricolor estranho, sem qualquer poder de reação. Foi aceitando a superioridade do Coxa e perdeu de maneira inapelável. Falta tônus ao time, para não usar outra palavra. Já o Palmeiras tenta se aprumar depois dos últimos trancos e parece ter encontrado o caminho da cura através de… Obina, o que parece ironia adicional nesse caso confuso, já que foi Luxemburgo quem trouxe o atacante “melhor que o Eto?o”, sob gozação geral. Vá entender esse jogo…

(Boleiros, 7/7/09)

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