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Reinício, enfim

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h20

15/1/2008

Ufa!, por fim vamos ter futebol doméstico. Os fanáticos dirão que o
Campeonato Inglês não parou nem no Natal e agora os outros europeus já
retomaram atividades. Com direito, inclusive, a show de jogadores
brasileiros pelo Milan no domingo. Tudo bem, eu também vejo, mas, sabe como
é?, parece aquela tal de nouvelle cuisine francesa – uma festa para os olhos
mas não enche a pança. Não tem “sustância”, como se diz por aí pelo
interior. Mas agora tudo recomeça, com o início do Campeonato Paulista. É o
começo da temporada para nossos times e todos temos curiosidade de conferir
novidades, por pífias que sejam.
Temo que seja falar o óbvio, mas é preciso dizer que o São Paulo é o
favorito de sempre. De todos os times, é aquele que tem sabido manter a
continuidade de trabalho, mesmo no mundo instável do futebol brasileiro.
Perdeu um jogador, Breno, repôs com Juninho e ainda tem o trunfo de Adriano
que, se acertar o pé e a cabeça, poderá fazer a diferença para o tricolor.
Se o Paulistão fosse por pontos corridos, estaria no papo; com quadrangular
final, a imprevisibilidade aumenta. Mesmo assim, o São Paulo é a primeira
força.
Qual será a segunda? Santos, Palmeiras ou Corinthians? Fico com o Palmeiras.
Claro, o Palmeiras da Traffic não será como o da Parmalat. Mas a simples
presença de Luxemburgo no comando dá a entender que os planos são
ambiciosos. Aos poucos, os jogadores vão entrando e o time já foi reforçado
com a chegada de Élder Granja, Alex Mineiro, Diego Souza e Lenny. Deve ser
apenas o começo. Não se sabe até onde o Palmeiras pode ir, mas será mais
poderoso que em 2007.
O contrário deve ser dito do Santos. Com a troca de comando, saiu perdendo.
Deixou escapar jogadores pelo menos interessantes, como Pedrinho e Marcos
Aurélio, e não fez nenhuma grande contratação. Além disso, Leão parece mais
preocupado em apagar os vestígios da passagem de Luxemburgo pela Vila do que
em construir sobre os alicerces encontrados. Essa filosofia de trabalho (e
de vida), cheia de ressentimento, não costuma dar resultado.
E o Corinthians? Bem, é o caso mais agudo. Promoveu o desmanche inevitável
em time que foi rebaixado. Trouxe um bom técnico, Mano Menezes, que parece
disposto a montar um time fisicamente forte. O objetivo, óbvio, é voltar à
elite do Brasileirão. Nesse sentido, o Paulista será um período de testes e
ajustes. Mas faria muito bem ao machucado ego corintiano vencer esse título
doméstico.
Correndo por fora vem a Portuguesa, que acaba de subir para a Primeira
Divisão do Brasileiro e aposta na mescla de veteranos (Christian e Zé Maria)
com jovens para disputar uma das quatro vagas da fase final do Paulistão.
Pode chegar a ela, por que não?
O MILAN E O BRASIL
Vendo o concerto de gala de Ronaldo, Pato e Kaká no domingo me lembrei que
o Milan é velho conhecido dos brasileiros. Por exemplo, no tempo em que se
amarrava cachorro com lingüiça, Mazzola e Amarildo brilharam com a camisa
rossonera. Amarildo quem? Pois ele foi o homem que substituiu Pelé na
seleção em 1962, quando o Rei sofreu uma distensão. Chamado de “Possesso”,
jogou no ano seguinte pelo Milan contra o Santos, na grande decisão do
Mundial de Clubes. Leio agora na coluna Gente Boa, de O Globo, que o velho
Amarildo se encontra desempregado, tentando o cargo de técnico do América do
Rio, mas parece que a coisa está difícil para o seu lado. Não lhe faltam
referências. O Possesso jogou na Itália e foi campeão do mundo. Acha que não
encontra emprego no Brasil porque ninguém se lembra mais dele. É uma
história que merece certa reflexão.

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