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Ronaldinho e a malandragem no futebol

Luiz Zanin Oricchio

13 de fevereiro de 2013 | 23h08

Tivemos um exemplo típico agorinha mesmo, no primeiro tempo entre Atlético-MG x São Paulo.

Ronaldinho ficou pela área adversária, pediu uma água e Rogério Ceni, cavalheiro serviu o adversário. Ronaldinho foi ficando por ali, até que foi cobrado o lateral e o alcançou, livre da Silva. Estava na maior banheira. Mas não há impedimento em bola recebida de cobrança de lateral. Ele recebeu, cruzou, e o gol saiu. Deu um branco no São Paulo. Às vezes parece que jogadores profissionais desconhecem a regra.

Ninguém chiou, pelo que vi. Ceni atribuiu o gol à desatenção de quem deveria estar marcando Ronaldinho, o que é certo. Mas será que ninguém resmungou de “falta de ética” do Ronaldo?

Ele mesmo disse que foi sorte. Rogério sorriu para um repórter que lhe fez a pergunta e disse que não. Foi enganado. E acho que foi mesmo. Malandragem do Ronaldinho, que deu certo.

É contra a regra? Não é. Faz parte do jogo. Cansei de ver jogador inteligente se servir da malandragem para resolver lances difíceis. Pelé era especialista na matéria. Enroscava-se em marcadores e simulava faltas. Uma vez criou um pênalti do nada. Um zagueiro tinha a bola dominada, mas Pelé foi em cima dele, como se fosse para tirar-lhe a bola. O goleiro Waldir Perez, de costas para o seu defensor, se apavorou e segurou Pelé. Pênalti. O futebol é (também) teatro e jogadores acima da média precisam ser (também) atores.

A malícia faz parte do jogo. Mas, no mundo do politicamente correto, anda em desuso, para empobrecimento do futebol.

Hoje Ronaldinho a resuscitou.

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