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Sabor especial para a decisão

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 14h39

17/4/2007

Por mais que o discurso politicamente correto tenha prevalecido ao longo da
semana passada, ficou claro que tanto Santos como São Paulo foram
surpreendidos por Bragantino e São Caetano. Porque uma coisa é dizer da boca
para fora que “não existe favorito nesta fase, ninguém mais é bobo, etc.”, e
outra é ver frustrada a certeza íntima de que os “grandes” saltariam na
frente com a maior facilidade.
Contrariados, os técnicos mostraram nervosismo depois dos jogos de sábado e
domingo. Luxemburgo chegou a culpar o gramado do Pacaembu pelo número de
passes errados e aproveitou para meter a boca no sistema de mata-mata.
Muricy, na entrevista após o empate com o São Caetano, parecia prestes a
pular sobre a jugular de repórteres que apenas queriam saber a sua opinião
sobre um resultado tido como estranho.
A zebra então está à solta? Eu não diria isso, mesmo porque acredito que, no
segundo jogo, Santos e São Paulo acabarão por se impor sobre Bragantino e
São Caetano. Mas, depois de assistir com cuidado às duas partidas,
francamente não sei não se será fácil. Futebol é jogo incerto e, se o
sistema de classificação em duas rodadas contribui para que o time mais bem
estruturado siga adiante, nem por isso ficam excluídos resultados
considerados “anormais”.
Mas, desculpas à parte, achei interessante um ponto comum nas queixas dos
treinadores em relação aos seus times: ambos acabaram por admitir que as
equipes atuaram sem tranqüilidade. Luxemburgo disse que o Santos precisava
ter calma para chegar ao gol porque quem precisava do resultado, no fundo,
era o Bragantino. E, de fato, o Santos (assim como o São Paulo) joga por
dois empates. Para Luxa, ir com muita sede ao pote, querer marcar a qualquer
custo, deixa o time vulnerável, exposto aos contra-ataques. Coisa parecida
afirmou Muricy ao dizer que o jogo ficou muito aberto no 2º tempo, com
lances de ataque lá e cá. Parecia jogo de várzea, comparou.
A pergunta que não quer calar é: como as duas equipes, tidas e havidas como
as melhores do País, as mais bem treinadas, se mostram incapazes de traçar
um plano de jogo e demonstram pouca serenidade diante de adversários que
resistem mais do que o previsto? Santos e São Paulo foram muito bem
marcados. E daí? Esperavam o quê? Que os adversários os deixassem jogar,
abrissem espaço para a técnica do Zé Roberto e as firulas do Leandro?
Futebol é competição e Bragantino e São Caetano andaram muito bem ao anular
os melhores recursos dos adversários. Devem fazer a mesma coisa nos jogos de
volta, mesmo que o empate não os favoreça. Defender-se bem, enervar o
adversário e esperar por um descuido para fazer um golzinho lá na frente –
essa é a estratégia. E, depois do que se viu, quem pode garantir que não
dará certo?
É claro que, como os técnicos, as torcidas de Santos e São Paulo esperavam
que seus times saíssem na frente nessa primeira rodada. De preferência
goleando os adversários. Não foi assim e ninguém pode se queixar de falta de
sorte. O Bragantino esteve mais próximo da vitória do que o Santos. E se o
São Paulo dominou o 1º tempo, no segundo prevaleceu o São Caetano. Canindé
teve a bola do jogo em seus pés, no finalzinho, e não soube fazer.
Pode ser duro de engolir para técnicos e torcidas, mas esses placares
enviesados da primeira rodada dão um tempero saboroso à reta final deste
Campeonato Paulista.

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