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Santos sempre Santos

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 21h55

22/1/2009

O outro livro de futebol que li foi Na Raça!, de Odir Cunha. Comprei na Livraria Realejo, do amigo Zé Luiz, em Santos. Em visita à livraria, na esquina da praça da Independência, no Gonzaga, o Zé me indicou o livro, que eu esperava com impaciência. É sobre o bicampeonato mundial conquistado pelo Santos sobre o Milan em 1963. Inclui a descrição e bastidores de um jogo mítico – a virada de 4 a 2 do time brasileiro, depois de estar perdendo por 0 a 2 no primeiro tempo. A partida foi no Maracanã, testemunhada por 130 mil pessoas que viram o time virar um placar improvável sob um chuva de “terceiro ato de Rigolletto”, segundo a expressão de Nelson Rodrigues. O Santos, time técnico por excelência, jogou desfalcado de Pelé, Zito e Calvet; ganhou na raça – daí o título escolhido por Odir para o livro. Ele mesmo confessa que enfrentou resistências internas para escrevê-lo. Em seu trabalho anterior, havia descrito a epopéia do primeiro título mundial santista, conquistado em 1962 contra o Benfica, numa partida considerada o ápice da técnica, 5 a 2 para o Santos no Estádio da Luz, segundo Pelé o melhor jogo de sua carreira. Como então escrever sobre um título conquistado em condições opostas – sob chuva, pontapés trocados de parte a parte, jogadas ríspidas no lugar de firulas, suspeitas de doping, de juiz roubado e tudo o mais? Pois bem, tudo isso constitui um épico e, em sua descrição, Odir sai-se muito bem. Nem apenas de técnica vive o futebol, embora a gente de vez em quando se esqueça disso. Até mesmo o grande Santos dos anos 60 teve seu dia de chutar de bico, para onde estivesse virado. E ganhou um título mundial dessa forma.

Obs: Tenho um texto sobre essa partida, que escrevi para um livro chamado Meu Jogo Inesquecível. Querem que eu coloque no blog?

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