As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Santos x Audax: uma bela final

Luiz Zanin Oricchio

25 de abril de 2016 | 16h30

 

Santos e Audax vão fazer as finais do Campeonato Paulista. Dá para acreditar que teremos dois jogos com alguns ingredientes fora do comum. A começar pelo futebol bem jogado.

O Santos pratica um bom futebol e, se não dá o mesmo espetáculo que em outras épocas, é time que gosta de jogar e trata bem a bola. Tem alguns boleiros diferenciados, como Gabriel, Lucas Lima e Ricardo Oliveira. Já o forte do Audax é o futebol coletivo.

O Audax é, de fato, a grande surpresa do campeonato. Time “pequeno”, mas que subverte a rotina dos clubes com menos tradição quando jogam contra os grandes. Ao invés de ficar na defesa à espera de um contra-ataque mortal, o Audax sai tocando a bola, acredita no volume de jogo e acua o adversário. Não dá chutões e nem se impressiona com o peso da camisa. Que o digam São Paulo e Corinthians. O primeiro foi goleado por 4 a 1 e o segundo empatou por 2 a 2 e perdeu nos pênaltis. Um observador imparcial diria que, se houvesse vencedor entre Corinthians e Audax, teria de ser este último. Foi mais time.

É preciso destacar isso, porque se fala muito mal do Campeonato Paulista: Corinthians x Audax foi um jogão, talvez o melhor do torneio, até agora. Cheio de alternativas, de emoção, com algumas jogadas geniais. Jogo de encher os olhos de quem gosta do futebol, sem por isso torcer para qualquer das equipes.

Também bom jogo, e também cheio de emoção, foi Santos e Palmeiras. Também empataram por  2 a 2, também foram para a disputa de pênaltis. Mas a história foi outra. O Santos dominou o primeiro tempo, o Palmeiras voltou melhor no segundo. Mas o time da Vila foi sempre superior. Trabalhou para fazer 2 a 0 e, em seguida, se acomodou. O que quase lhe saiu caro, pois o Palmeiras, que tem o mérito de não ter entregado os pontos jamais, empatou em menos de três minutos, em duas estocadas. Nos pênaltis, contra a expectativa, o Santos estava com os nervos mais em ordem, e acabou levando a vaga que quase havia ido pelo ralo. Seria injustiça, mas o futebol é assim. Vale bola na rede e os quatro gols do jogo foram legais.

Por curiosidade, a grande revelação deste Paulista não é um jogador, mas um técnico. Fernando Diniz montou uma equipe que joga bonito e é competitiva, sem dispor de nenhuma estrela. Pelo contrário, são jogadores que pouca gente conhecia e hoje aprendemos a respeitar como Tchê Tchê e Bruno Paulo. Em breve Diniz deverá receber convite de algum clube grande e então veremos se seu trabalho foi fogo de palha ou é coisa sólida, fruto de estudo e boa observação do futebol. Será muito bom se vingar, pois precisamos de nomes novos nesse rotineiro mercado de “professores”, de técnica ultrapassada e discursos repetitivos.

Enfim, tudo está aberto e esperam-se dois bons jogos, um em Osasco e outro na Vila Belmiro, como deve ser.  

O pior erro que o Santos pode cometer é considerar-se favorito absoluto ao título. Já deve ter aprendido a lição ao perder em 2014 a final para o Ituano, muitíssimo inferior ao Audax. Não é que o futebol seja “caixinha de surpresas”, como diz o clichê. É que não aceita desaforo mesmo.