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São Paulo e Rio

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h27

26/2/2008
Talvez seja uma radiografia significativa do atual futebol paulista o fato
de o limitado Corinthians ser o único dos grandes a figurar no chamado G4 –
os quatro que hoje iriam às semifinais do campeonato. O fato é que o
Coringão chegou lá porque Mano Menezes montou uma defesa difícil de ser
vencida. O Corinthians é o menos vazado, tendo tomado apenas seis gols em
onze jogos. O problema é do meio para a frente nesse time que cria pouco e
marca menos ainda: apenas 12 gols, número que o iguala, em artilharia, a
alguns dos piores colocados, como o Juventus e o Paulista. Não tomar gols é
a prioridade. Se der para fazer umzinho lá na frente, melhor. E assim o
Corinthians vai galgando a tabela.
Mesmo porque, aqueles que seriam seus principais rivais ainda estão devendo.
O São Paulo, que chegou com a fama de “time pronto”, parece bem mais fraco
do que em 2007. O Palmeiras de Luxemburgo, o que mais investiu e contratou,
ainda não deu liga. Oscila muito, o que talvez seja normal, mas um
campeonato de tiro curto não dá muita margem a erro. Quando se acorda, às
vezes já é tarde demais – o que pode ter acontecido com o Santos, que, pela
primeira vez este ano, apresentou meio tempo de bom futebol. O suficiente
para, com dez jogadores, golear o Ituano.
Esses resultados decepcionantes já começam a produzir efeitos. Claro, não se
pode ainda falar em fritura de Luxemburgo ou de Muricy. Ambos atingiram
status que os tornam blindados contra maus resultados, pelo menos durante
algum tempo. No entanto, os presidentes de São Paulo e Palmeiras já disseram
que esperavam mais nesse início de temporada. Esse tipo de declaração de
cartola é feito para ir à mídia e dela retornar, como recado, ao interior do
clube. Cornetas começaram a soar. Ainda em tom baixo.
COISAS DO BOTAFOGO
Fiquei sensibilizado com a revolta do Botafogo depois da derrota para o
Flamengo por 2 a 1. Jogadores, o técnico Cuca e o presidente Bebeto de
Freitas não escondiam as lágrimas pela perda da Taça Guanabara. Não vi o
jogo inteiro, apenas assisti ao compacto. Mas vi e revi os lances polêmicos
e não entendi o motivo das reclamações. O pênalti a favor do Flamengo parece
claro, Ferrero só faltou arrancar a camisa de Fábio Luciano dentro da área.
Já o pênalti pedido pelo Botafogo obviamente não existiu. Acho que o juiz
pode ter feito lambança nas expulsões. Enfim, com razão ou sem razão, a
sensação de injustiça é uma das mais terríveis no futebol, e na própria
vida. Parece que todo um trabalho duro e sério é jogado fora por força do
arbítrio de um agente externo.
Passada a raiva, o Botafogo não deixará de relembrar as vezes em que também
foi beneficiado pelo apito. Basta refrescar a memória e evocar o Campeonato
Brasileiro de 1995, por exemplo. Espero que Bebeto de Freitas recobre a
serenidade e volte atrás em sua decisão de renunciar ao cargo de presidente.
É um dos poucos cartolas decentes deste país.
Mas por que pensar em tudo isso e esquecer o jogaço, a vitória de virada do
Flamengo, o belo gol de Diego Tardelli já nos acréscimos, a agonia da bola
na trave, cabeceada por Fábio, no último lance do jogo? Foi de arrepiar. E o
Maracanã lotado? Não há nada mais lindo no mundo. O Campeonato Carioca vale
por dois e os torcedores deliram. Um idiota da objetividade afirmaria que,
no domingo, decidiu-se um mero título de primeiro turno. Certo, vá dizer
isso a um torcedor do Flamengo. Será que o jogo final do Campeonato Paulista
terá a mesma empolgação dessa simples “final de primeiro turno”? Os cariocas
sabem organizar uma festa como ninguém.

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