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Será que o susto valeu?

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h09

Parece que o Palmeiras acordou. E talvez tenha acordado a tempo. Depois de fazer apenas um ponto em 12 possíveis e ver todos os adversários encostarem, conseguiu uma goleada contra o Goiás e esse excelente empate diante do Corinthians. Por que “excelente”? Ora, dadas as circunstâncias, nem a turma do amendoim poderia desejar melhor. Empatou depois de estar duas vezes inferiorizado, e ainda com dez jogadores em campo após a (justa) expulsão de Marcos. Pois foi então o time de Muricy encontrou o caminho do empate através de duas bolas paradas, bolas aéreas que terminaram dentro das redes do Corinthians. Quer coisa mais “Muricy Ramalho” do que isso?
“Meu nome é trabalho, meu filho” – ele poderia dizer. E, de fato, os dois gols palmeirenses no empate são frutos legítimos do treino, do aprimoramento de uma jogada que, repetida até a exaustão, ainda faz suas vítimas. Acho que faltam estatísticas no futebol brasileiro, mas aposto que esse tipo de jogada ainda é responsável por uma porcentagem significativa dos gols. No livro Universo Tático do Futebol – a Escola Brasileira, o técnico Ricardo Drubscky fez um levantamento dos gols em Copa do Mundo, em especial na Copa de 2002, e chegou a algo como 30% dos gols com origem em bola parada, em especial bolas levantadas para a área para cabeceio dos atacantes ou dos zagueiros. Enfim, dos homens altos da equipe.
Muricy é talvez o maior adepto dessa prática entre nós. Venceu com ela no São Paulo, levou-a para o Palmeiras. Talvez estejamos condenados a ver esse tipo de jogada se repetir até o fim dos tempos. E a ouvir, no término dos jogos, as reclamações tão repetitivas quanto elas: “Foi erro de posicionamento, que precisamos corrigir para o próximo jogo”. Ou: “foi falta de atenção da nossa parte”. Ou pior ainda: “Dominamos o jogo e eles marcaram nesse lance isolado”. Enfim, nós, apreciadores do futebol bem jogado, iremos, também até o fim dos tempos, olhar com desdém para esse tipo de jogada. E isso porque ainda mantemos na cabeça o gol ideal como aquele tramado por uma incrível jogada coletiva ou uma maravilhosa jogada individual. Os gols de bola parada, de jogo aéreo, jamais irão aparecer entre os mais bonitos da rodada. Valem a mesma coisa em termos de placar ou definição de campeonato. Seria uma boa discussão – desde que levada a sério – se esses gols acontecem mais por mérito do treinamento ou mais por falhas da defesa. O fato é que os sistemas defensivos nunca estão preparados para enfrentar esse tipo de lance.
E também seria de bom tom não reduzir o trabalho do treinador a essa jogada sem sal mas eficaz. O Palmeiras, depois daquele apagão de quatro jogos, parece de novo um time sólido em campo, preparado para entrar nessa reta final e disputar a taça com o São Paulo. E, quem sabe, com o Atlético Mineiro e o Flamengo, pois todos estão no páreo e nenhum deles pode ser descartado como candidato a campeão nesse estranho Brasileirão de 2009.
Não faltarão emoções, e nem mesmo choro e ranger de dentes nas rodadas seguintes. Apenas para ficar na próxima: o Palmeiras vai ao Rio enfrentar o Fluminense, e o São Paulo pega o Grêmio no Olímpico. Em outras circunstâncias o primeiro jogo teria um favorito claro. Afinal, um dos times é candidato ao título e o outro, ao rebaixamento. Só que o Fluminense parece disposto a vender caro a degola, como se viu nessa virada épica em cima do Cruzeiro em pleno Mineirão. E o São Paulo enfrenta o irregular Grêmio, mas que parece imbatível em sua casa. Para completar, os outros dois candidados – Atlético Mineiro e Flamengo – jogam entre si. Aguenta coração, como dizia o grande Fiori Gigliotti.

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