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Sinal amarelo para o futebol brasileiro

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 20h30

29/5/2007

Em rara unanimidade, os cadernos de Esportes destacaram a má qualidade do
clássico entre São Paulo e Palmeiras. Ruindade que não poderia ter outro
resultado senão o 0x0. Não que um 0x0 tenha necessariamente de ser um
péssimo jogo. Uma partida pode muito bem terminar sem gols e ter sido
emocionante, com belas jogadas de ataque, defesas milagrosas, duelos
táticos, etc. Mas quando um jogo é ruim de fato, como foi este São Paulo e
Palmeiras, só há um resultado condizente, um inexpressivo empate sem gols.
Para a obra ficar perfeita.
Devemos tirar grandes conclusões a partir de um único jogo? Claro que não e
talvez (tomara) esse Campeonato Brasileiro nos reserve ainda muita beleza e
emoção nas partidas que veremos ao longo do ano. Mas poderíamos, talvez,
aproveitar a oportunidade desse clássico malogrado e acender uma luzinha
amarela para o futebol brasileiro. Não estou nem pedindo luz vermelha; a
amarela já serve. Sinal de alerta, nada mais.
Afinal, estavam em campo dois grandes entre os grandes do futebol
brasileiro, dois rivais paulistas que, mesmo combalidos, contam em seus
elencos com algumas das poucas estrelas ainda disponíveis no País: Edmundo e
Valdívia de um lado, Rogério Ceni e Dagoberto de outro. Mas, em 22 que
começaram o jogo, são esses os craques? Só esses? Então não precisamos
procurar muito para encontrar a causa, ou uma delas, da ruindade do jogo.
Podemos também somar a falta de jogadores realmente bons à postura cautelosa
dos técnicos, que, convenhamos, têm lá suas razões. Muricy não podia perder,
pois anda já sentindo o cheiro da fritura. Já Caio Jr. parece bastante
consciente das limitações do elenco e sabe que com ele não pode cometer
loucuras.
Assim, a “prudência tática” predominou, junto com a falta de recursos
técnicos. Azar do torcedor, pelo menos daquele tipo de aficcionado que gosta
de ver um futebol bem jogado. Por isso é bom a gente não se iludir com
números enganosos, como média alta de gols no Brasileirão. Se número de gols
fosse um critério absoluto, futebol de praia seria o máximo.
O fato é que, bem observado, o futebol brasileiro já se ressente, no plano
técnico, da falta de uma política para o setor. Ele anda ao deus-dará. O
laissez-faire do modelo exportador de pé-de-obra já produz estragos na
qualidade técnica e até mesmo no estilo brasileiro de jogar. Como essa
história de futebol-arte começa a fazer parte do passado, os técnicos, que
têm de preservar seus empregos, são obrigados a optar por sistemas menos
criativos, e tornam-se adeptos do futebol burocrático e fechado. É um estilo
de jogo que está se diluindo, uma antiga e grande escola de futebol que está
fechando as portas.
E não deixa de haver aí uma melancólica ironia da história. Foram os
europeus que inventaram os sistemas mais fechados, um tipo de marcação capaz
de anular o talento sul-americano. Depois descobriram que muito mais negócio
era comprar o talento alheio ao invés de anulá-lo. Quer dizer, nós
exportamos craques e importamos sistemas de jogo rígidos. Será que fazemos
uma boa troca?
Agora, vejo que a CBF relaciona oito jogadores que atuam no País em sua
pré-convocação para a Copa América. Quer dizer, além de não cuidar do
futebol praticado no Brasil, ainda desfalca clubes e prejudica o campeonato
que ela mesma organiza. Como dizia o grande Mazzaropi, se não é para ajudar,
pelo menos não estorva, sô!

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