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Só acaba quando termina

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h11

Amigos, quem assistia ao Chacrinha, lembra dele dizendo que aquele era um programa que “só acaba quando termina”. Pérola do nonsense, mas que vale (e como vale!) quando o assunto é futebol. Jogo da bola não é como peru, que morre de véspera e quanto marmanjo já vi chorar ao perder uma partida, ou uma taça, que acreditava no papo – já que estamos falando em perus.
Dito isso, e fazendo a ressalva de que o futebol é o futebol, “caixinha de surpresas, etc.”, é claro que o São Paulo já está com uma mão e vários dedos da outra na sua sexta conquista de Brasileirão, a terceira seguida. Pode perder fôlego e deixar algum adversário atropelar na final? Pode. Mas, quem, em sã consciência, acredita nisso? Já houve precedente, e não faz muito tempo. Em 2004, o Atlético-PR estava também com a taça na mão, perdeu embalo nas últimas rodadas e deixou o Santos ultrapassá-lo. Mas as condições eram diferentes e o São Paulo me parece sólido e competente demais para deixar escapar um título que lhe caiu no colo.
Caiu? É isso: caiu no colo. Como definir de outro modo a situação? O Grêmio, com 12 pontos de vantagem, vai perdendo fôlego rapidamente até chegar à situação atual, cinco pontos atrás do rival? E ainda se dando “ao luxo” de perder um jogo por 2 a 4, contra o Vitória, que nada mais aspira (e nem teme) na competição? Muricy tem falado muito nessa história. Houve uma época em que o próprio time havia desacreditado da conquista e preparava-se para disputar apenas uma vaga para a Libertadores, vaga que, para os são-paulinos, soa como nada mais do que a obrigação.
De modo que, salvo algum acidente de percurso, os colunistas esportivos de todas as tendências já estarão se preparando para analisar o “caso” São Paulo. Sim, porque se existe hoje uma hegemonia no futebol brasileiro é a do tricolor, que será sacramentada com esse título. Vamos analisar muitos itens, tentando entender o segredo do São Paulo. Uma estrutura financeira sólida? Sim, mas dentro dos limites de solidez do futebol brasileiro, o que não é dizer muita coisa. Uma concepção democrática, com oposição forte e alternância no poder? Mais ou menos, embora não haja, no Morumbi, aberrações de continuísmo, como em outros clubes que são ou foram até pouco regidos por monarcas de direito divino e não por presidentes civis. Diz-se que o São Paulo tem estrutura funcional estável e que a entrada e a saída de um técnico não altera todo o esquema, como acontece em outros clubes. Aposta na infra do clube, naquilo que os boleiros chamam à torto e à direito de “estrutura”? Sim, mas outros clubes também dispõem de estrutura, se por ela se entende o meio físico favorável, equipamentos e bons profissionais de apoio. O segredo seria Muricy Ramalho? Talvez, porque ele é o técnico em melhor momento e – estranhamente para mim – em excelente cotação da mídia, que parece deleitar-se com seu mau humor militante.
Sim, o caso São Paulo merece ser estudado e, se não me engano, todas as conclusões irão se encontrar num ponto comum – é o mais profissional dos clubes brasileiros. Da minha parte, concordo com tudo e todos, e só me reservo o direito de achar que não existe uma única maneira de obter conquistas. E que os outros clubes, hoje perdedores ou desesperados, não precisam se transformar em imitações do São Paulo para amanhã se tornarem vencedores. Há mais de um caminho que leva à felicidade. Pelo menos, esse é o meu credo pessoal.

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