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Técnico descartável

Luiz Zanin Oricchio

10 de junho de 2015 | 11h21

 

A demissão de Oswaldo de Oliveira já era bola cantada. Concretizou-se. Não conseguiu os resultados desejados, foi mandado embora do Palmeiras.

Voltamos ao assunto de sempre. O ciclo parece infindável. Além de Oswaldo já caíram, entre outros, Felipão (Grêmio), Luxemburgo (Flamengo), Marcelo Oliveira (Cruzeiro), além dos técnicos do Fluminense, Joinville e Coritiba. Sete treinadores para seis rodadas do Campeonato Brasileiro. E Marcelo Fernandes balança no Santos. Deve ser o próximo da lista.

Por que os técnicos caem? Por incompetentes? Não parece ser a regra geral. Tanto assim, que logo que soltos no mercado, veem-se contratados por algum antigo adversário. Desse modo, Luxa voltou para o Cruzeiro depois de dançar no Flamengo e Marcelo Oliveira, expelido do Cruzeiro depois de vencer dois títulos nacionais, é a bola cantada no Palmeiras. Então não é falta de competência, do contrário estariam queimados de vez no mercado.

É o “ciclo” que acabou? Essa, a explicação que costuma ser dada. Mas, como se avalia mesmo o fim de um ciclo? E porque é preciso esperar por uma derrota contundente, ou uma série delas, para detectar o famoso fim de ciclo? Por que não demitiram o Oswaldo depois de o Palmeiras haver ganhado do arquirrival Corinthians, e no Itaquerão ainda por cima? Não. É preciso esperar um bom tropeço. Como se a demissão provocasse uma espécie de má consciência do diretor que o contratou e agora se vê tentado a demiti-lo.

Porque, sim, se você ocupa um cargo executivo numa empresa e contrata alguém errado, esse equívoco respinga em você. No futebol, não. O diretor demite, mas não reconhece o erro. Então essa história do “ciclo encerrado” fornece uma ótima desculpa para o cartola. Não houve erro. O profissional era o adequado para aquele momento. Foi o ciclo que terminou. E ninguém é responsável por isso. Nem mesmo quando o tal ciclo é anormalmente curto.

Não adianta dizer que o coitado do técnico não recebeu as contratações de jogadores que lhe prometeram. Pelo contrário, viu alguns atletas baterem asas, sob o olhar complacente e feliz dos diretores. E viu-se obrigado a remontar o time com os recursos humanos de que dispunha, pois o “momento é de crise, etc”.

De modo que os técnicos são sempre obrigados a reconstruir elencos devastados. Esse, sim, é o ciclo de ferro para valer: o de destruição e reconstrução do futebol brasileiro, que nunca chega a atingir a estabilidade pois não há tempo para isso.

Vivemos da mão para a boca, trabalhando na precariedade. Jogar a responsabilidade para cima dos técnicos é mais uma forma de escamotear essa realidade e adiar reformas estruturais. Estas, para serem feitas, teriam de mexer em interesses profundos, tanto da CBF, como dos clubes, de quem compra os direitos de transmissão, de agentes e profissionais do marketing esportivo. Interesses, enfim, de todos os elos do futebol-negócio, que lucram com a instabilidade programada do futebol brasileiro.

Demitir o técnico é mais fácil e fornece o bode expiatório do momento. E tem torcedor que ainda aplaude.