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Temperado pelos obstáculos

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 14h43

8/5/2007

Com o desfecho de domingo, o Campeonato Paulista ganhou o caráter épico que
antes não tinha. Para sagrar-se campeão, o Santos teve de se superar;
cresceu na tempestade, e isso é o que torna grande e particular essa
conquista.
Possivelmente o São Caetano perdeu o título ao não compreender essa
circunstância. Acomodou-se à vantagem obtida no primeiro jogo. Alegrou-se
talvez demais quando o Santos teve de enfrentar a crise aberta com as saídas
de Pedro e Tiuí, e com as acusações que os dois fizeram a Luxemburgo. Tudo
pareceu ainda melhor para o São Caetano quando o Santos perdeu Antônio
Carlos e Dênis em Caracas. Como desejar situação mais propícia às vésperas
de uma decisão? O comandante adversário dispensa um lateral-direito e perde
o outro por contusão. Fica com um buraco na defesa e vê seu prestígio ser
contestado. Quanta ilusão…Todas essas dificuldades eram o ingrediente que
faltava para dar ao Santos a força para uma virada que até os torcedores
mais crédulos consideravam difícil. No domingo, o São Caetano viu-se diante
de uma fera ferida. Apavorou-se.
De certa maneira, essa fórmula híbrida inventada pela Federação Paulista
acabou premiando o melhor time, como hoje parece consenso. O Santos teve a
campanha mais positiva e terminou a fase de classificação seis pontos acima
do segundo colocado, o São Paulo. Mas, curiosamente, começou a tropeçar nas
semifinais, com aqueles dois empates diante do Bragantino e, em seguida, a
derrota diante do São Caetano. Entrou naquela zona de turbulência na qual
parecia destinado a sucumbir. Saiu dela mais vitaminado, e jogou com
autoridade, atropelando o adversário. Não me lembro de Fábio Costa ter feito
uma única defesa difícil durante o jogo. O Santos, pelo contrário, só não
definiu a partida ainda no primeiro tempo porque o aproveitamento do ataque
continua baixo. Mandou e desmandou no jogo e o São Caetano parecia impotente
para esboçar qualquer reação.
Tenho a impressão de que o Santos fica muito fortalecido com essa conquista
de campeonato. Deve encarar com tranqüilidade seu compromisso de
quinta-feira com o Caracas e pode já ir pensando na fase seguinte da
Libertadores e no Campeonato Brasileiro.
Quanto ao São Caetano, penso que sai do torneio de cabeça erguida. E, se não
promover um desmanche completo nesse time, acho que está bem encaminhado
para iniciar a campanha de retorno à primeira divisão. Desde que volte a
encontrar-se com aquele futebol que praticou contra o São Paulo e o próprio
Santos na primeira partida, e esqueça-se da maneira amedrontada como jogou
no domingo. Talvez tenha sido apenas um mau passo. Tem de voltar a pensar
grande. Se sair vendendo jogador por aí, vai voltar à estaca zero.
Já o Santos tem de repor os atletas que perdeu. E, de preferência, resolver
seu problema no ataque. As coisas seriam mais simples se, com o meio de
campo que tem, o Santos contasse com um matador para aproveitar as chances
criadas.
Disso tudo, fica o título com sabor especial, porque conquistado no suor e
na dificuldade; e fica a convicção de que existe na Vila um time sólido, de
peso, de respeito, apto a disputar qualquer título. Nesse time, Zé Roberto
revelou-se um maestro e ergueu, aos 32 anos, sua primeira taça no Brasil.
Não é pouca coisa e a nação santista tem todo o direito de comemorar.
O São Caetano se iludiu demais com os problemas vividos pelo Santos

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