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Título festejado a prestações

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h02

23/10/2007

Como se comemora título tão anunciado quanto este do São Paulo? A
prestações, talvez, pois o clube, ou pelo menos a sua torcida, já vem
celebrando desde que venceu no Maracanã o Botafogo, que era então (veja só o
que é o futebol) um sério candidato ao título. Vem comemorando desde que
conseguiu acumular gordura tão farta que não pode mais ser queimada pelos
adversários. Festejou domingo, ao enterrar de vez a já remotíssima
possibilidade de o Cruzeiro se converter em zebra. Deverá comemorar quando
se tornar matematicamente campeão, o que pode acontecer já na próxima
rodada, dependendo de uma combinação de resultados. Nesse caso, quando lhe
serão entregues as faixas e a taça? No jogo seguinte ou apenas no último
compromisso do campeonato? No fundo, é tudo questão de cerimonial, pois há
muito tempo o São Paulo é de fato e de direito o campeão brasileiro de 2007,
mesmo sendo o futebol “a little box of surprises”, como disse certo dia um
grande jogador.
Esse tipo de comemoração que se arrasta no tempo é típico dos campeonatos
por pontos corridos quando um time se destaca sobre os demais, como foi o
caso do São Paulo este ano. Não se trata de botar a culpa no sistema. A
culpa, se é que ela existe, é dos outros times que não se prepararam
adequadamente e por isso estão comendo pó dos são-paulinos. Que devem se
divertir muito vendo rivais de tradição brigando pelo segundo lugar, ou por
uma vaguinha na Libertadores, que ele já conquistou faz tanto tempo.
E quem ficará com essas vagas, afinal? Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Grêmio e
agora Flamengo estão no páreo que, este sim, só será resolvido nas últimas
rodadas, talvez apenas no final do campeonato. Aliás, a tal “caixinha de
surpresas”, que é o maior lugar-comum futebolístico de todos os tempos,
funcionou no caso do Flamengo. Quem diria que um time que vegetava à beira
do descenso com Ney Franco poderia estar agora na boca da Libertadores sob o
comando de Joel Santana? Um amigo carioca me mandou e-mail dizendo que já
está providenciando passagem para Tóquio. Menos, menos. Mas que a reação do
Flamengo é surpreendente, ninguém pode negar.
Não se sabe quem serão os classificados para a Libertadores, mas o que se
pode dizer é que terão de se reforçar caso não queiram fazer papelão no
torneio. Nenhum deles, do jeito que estão, com a óbvia exceção do São Paulo,
tem condições de participar da Libertadores aspirando a título. Por isso
vejo com certo ceticismo essa fissura de jogadores e dirigentes (e mesmo da
torcida) pela tal vaga. Será que vale tanto esforço, apenas pela
participação? Ou o que se deve é entrar no torneio em condições de ganhar o
título, que é o que interessa?
A OUTRA FESTA
A outra comemoração que deu o que falar foi a festa dos jogadores da seleção
após a vitória sobre o Equador. O fato de terem fechado uma boate e dali
saído no final da manhã ganhou amplo destaque. Vazou pela imprensa que Dunga
teria recebido instruções de Ricardo Teixeira para falar com os jogadores e
pedir mais discrição na próxima vez. Mas já pensou o que aconteceria caso a
festa se seguisse a uma derrota? Ou mesmo a um empate por 0 a 0? O mundo
viria abaixo, pois ainda não conseguimos distinguir o que acontece dentro de
campo do que se passa fora dele. Aliás, os dribles do Robinho provaram que
excesso de seriedade nem dentro de campo funciona.

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