Trocando de “professor”
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Trocando de “professor”

Luiz Zanin Oricchio

15 de junho de 2017 | 20h23

FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

Outro dia mesmo postei aqui um texto dizendo que o Santos havia caído na rotina ao mandar embora o Dorival Jr. No meu modo de ver, ele vinha prestando bons serviços ao clube e não era justo queimá-lo porque o time vinha passando por uma fase má. Todos os times têm fases ruins e oscilam. Nós mesmos temos períodos menos produtivos em nossas vidas. E queremos ser julgados pelo “conjunto da obra” e não apenas pelos últimos resultados, sobretudo quando são negativos.

Tudo isso ainda me parece muito razoável. Mas, o que dizer quando o Santos, depois de se desfazer do pobre Dorival Jr., engata logo três vitórias seguidas – Botafogo, Atlético Paranaense (fora de casa) e Palmeiras? Algo mudou e essa mudança se deve à troca de técnico?

Difícil responder. Talvez a má fase estivesse acabando como qualquer fim de ciclo (bom ou mau). Ou talvez seja mesmo a mudança de técnico a produzir esse efeito de melhora e essa aparente irracionalidade das diretorias pode guardar alguma sabedoria secreta dos cartolas. Como saber?

O fato é que o time respondeu bem, e rápido, o que sempre traz embutida aquela questão: será que os jogadores estariam fazendo corpo mole para derrubar o técnico? Qualquer pessoa mais experiente sabe que isso acontece no mundo do futebol, embora os boleiros jamais o confessem.

O santista se lembra muito bem da sova que levou há alguns anos do Corinthians, 7 a 1, um placar fatal no futebol (lembra de Brasil x Alemanha?). Nos bastidores da Vila, todo mundo sabe que naquela ocasião se desejava derrubar o técnico Nelsinho Batista e o fato é que o time jogou de maneira irreconhecível, embora uma derrota para o Corinthians, que tinha time melhor, fosse previsível. O placar é que não. Como aconteceu na Copa com o Brasil diante dos alemães.

Enfim, a diretoria santista, também em off, sussurra que Dorival havia “perdido o vestiário”, frase meio cabulosa, mas que, traduzida em miúdos, quer dizer que ele não tinha mais ambiente entre os jogadores. Havia perdido o comando. Várias teorias se alinharam para explicar o fato, do desgaste natural do tempo à hipótese de que o elenco estaria indisposto com o assistente, que vinha a ser o próprio filho do treinador. Pode até ser.

De qualquer forma, com a mudança o Santos cobrou vida nova, o que não vem a ser novidade. Pegue qualquer firma meio desmotivada e troque de chefia. De repente as pessoas parecem cheias de gás e ideias. Solícitas e cheias de iniciativa. O medo de perder espaço é humano e uma nova liderança tem esse poder imediato de fazer as pessoas saíram da suas zonas de conforto e trabalharem mais, e talvez melhor. Pelo menos por um período que antecede a nova acomodação. Se é assim nos nossos empregos por que não seria numa equipe de futebol?

Só que – sabemos todos – se a nova chefia chega sem qualquer proposta mais concreta, esse efeito da novidade tende a se diluir em pouco tempo. De modo que, passada a interinidade de Elano, que dirigiu o time nos dois primeiros jogos, espera-se de Levir Culpi que estabeleça padrões de jogo mais eficientes para o time.

Não terá vida fácil. Para satisfazer o alto grau de exigência da torcida santista terá de vencer e jogar bonito. O santista não se contenta, a longo prazo, com um time constante, burocrático e trabalhador. Quer jogo bonito. Futebol-arte. Não se torce para o time de Pelé impunemente. A torcida espera por um Robinho ou um Neymar a cada temporada. E gente desse tipo não aparece toda hora.

Sustentar o ideal do futebol-arte sem os artistas que o alimentam é uma ilusão. Mas vamos prestar atenção ao trabalho do Levir e checar o que ele pode apresentar.

Resumindo: continuo contra trocar de “professor” por qualquer motivo. Mas, quando tiver de trocar, é melhor que o novo seja pelo menos tão bom quanto o anterior. Trocar seis por meia dúzia não dá, embora possa causar alguma fumaça momentânea.

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