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Tudo em aberto

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h16

A esta altura do campeonato, é chover no molhado dizer que tudo está em aberto. Na disputa por pontos corridos é raro acontecer definição muito antecipada. A não ser que haja um time de fato diferente dos outros, em patamar muito mais elevado, uma super equipe. Não é o caso. Nem de longe. Todos os candidatos apresentam deficiências mais do que evidentes. Desse modo, não excluo ninguém. Nem mesmo Grêmio e Atlético do Paraná, que têm oito pontos de desvantagem em relação ao Cruzeiro, o primeiro colocado.

Não existe time imbatível – isso todos sabemos. Mas o que acontece com os líderes do campeonato brasileiro de 2010 é coisa de outra ordem: eles se revelam frágeis demais, incapazes de garantir uma sequência de vitórias que os levaria diretamente ao título. Veja o caso do Cruzeiro, que levou uma virada do Grêmio nesta última rodada. Alguma surpresa? Nenhuma. O Grêmio em casa é muito forte, e vem fazendo uma campanha de segundo turno espantosa.

O outro time que já havia sido dado como virtual campeão – o Fluminense – parece que perdeu de vez o embalo. O empate com o Botafogo que é sintoma dessa, digamos assim, estabilidade em um nível médio do time dirigido por Muricy Ramalho. O Corinthians parece que ainda não saiu da crise que lhe tirou o fôlego para a atropelada final. A pergunta que se faz é se Tite, que dirigiu o time na época da MSI (lembram?), dá conta de estabilizar um clube que parece destinado a viver em transe permanente. Domingo passado, antes mesmo da chegada desse técnico de emergência, poderia ter se redimido. Foi prejudicado pela arbitragem. Não fosse a malfadada arbitragem brasileira, o Corinthians, que em outras ocasiões já foi por ela mesma ajudado, estaria embolado com os dois frente. Mas, como Cruzeiro e Fluminense também não fizeram a lição de casa, o Corinthians acabou não desgrudando tanto. Arrisca-se muito quem já o considera carta fora do baralho.

Assim como se arrisca quem descartar Santos e Inter, que vêm imediatamente atrás. O Inter tem ainda um belo elenco, um tanto enfraquecido pela venda de jogadores mas, mesmo assim, poderoso pelos padrões do futebol brasileiro. Pode se reconcentrar no campeonato e talvez esboçar um sprint no fim.

O mesmo se pode dizer do Santos. Assim como o Inter, o Peixe não está em jejum de títulos este ano. Já ganhou o Paulista e a Copa do Brasil, que lhe garante na Libertadores do ano que vem. Mas parece ter recuperado apetite. Haja vista as boas vitórias nas últimas partidas e até mesmo a derrota épica para o São Paulo no clássico. Perdeu o jogo mas não perdeu a pose. Tem um adversário em tese muito fácil na próxima rodada – o na prática já rebaixado Grêmio Prudente – e, se houver novos vacilos no pelotão da frente, pode encostar. Não é impossivel, já que o Corinthians tem clássico contra o Palmeiras, o Fluminense pega o Atlético-PR em Curitiba e o Cruzeiro enfrenta seu maior rival, o Atlético Mineiro, em ascensão e desesperado para sair da zona de rebaixamento. São três jogos complicadíssimos, todos de prognóstico impossível. Assim, não será surpresa se, na próxima rodada, as primeiras colocações estiverem ainda mais emboladas, prenunciando uma chegada de arrepiar.

Essa irregularidade toda tem suas vantagens. A maior delas é que os jogos estão cada vez mais emocionantes. Os times, pelo menos alguns entre eles, aprenderam que pouco têm a lucrar com o empate. Então deixaram prá lá formações defensivas e partiram com tudo para o ataque. É o que explica a excepcional qualidade de uma partida como São Paulo 4 x Santos 3, um San-São dos velhos tempos. O Santos já firmou uma tradição de jogo ofensivo. O São Paulo vinha se arrastando até ganhar nova moral com Carpegiani e deslanchar no campeonato, ganhando quatro vezes seguidas. Essa nova mentalidade do tricolor explica também o desfecho da eletrizante partida de domingo. Ao invés de se acomodar com o empate, quando tinha um jogador a menos em campo, o São Paulo continuou a contra-atacar com perigo, até ser beneficiado pelo gol de Jean já nos acréscimos. Foi sorte? Foi. Mas a sorte não dá a menor pelota a quem não a persegue.

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