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Verde que te quero verde

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 22h26

Sendo o futebol o que é, não dá ainda para dizer que o Palmeiras será o campeão. Mas que está tudo encaminhado para isso, não há dúvida. A administração Belluzzo sabe que a melhor maneira de enfrentar os imprevistos é planejar. E que, mesmo quando se planeja, algo escapa ao controle. Mas é melhor ter um quadro de referência preestabelecido do que não ter nada e ficar à mercê do acaso. Quando Keirrison saiu e o Palmeiras pareceu à beira do desmanche, ele soube negociar com o patrocinador e fechou a porta de saída. Conservou o melhor jogador do campeonato, Diego Souza. Fez mais: trocou de técnico, não no auge de uma crise mas num momento de instabilidade controlável. Para o seu lugar, trouxe outro tão competente quanto o primeiro. Quando já tinha um bom time, chamou um jogador capaz de decidir, Vágner Love. Não basta ter um projeto. É preciso investir nele. Aprofundá-lo enquanto se realiza.

Não se pode também ignorar o outro verde, o Goiás, que ocupa o segundo lugar, e não por acaso. É um time sistematicamente chamado de cavalo paraguaio e, indiferente a isso, não se cansa de mostrar boas exibições. A dupla Iarley e Fernandão é das mais inteligentes do futebol brasileiro – isso para ficar nos atacantes. Somos autocentrados e temos dificuldade em encontrar vida além do eixo Rio-São Paulo. Times como o Goiás nos obrigam a alargar a visão. Já pensaram que formidável reta final teríamos se ele desse uma atropelada?

Não que o Goiás seja a única ameaça ao Palmeiras. Apesar dos últimos resultados, o título continua uma possibilidade para São Paulo e Internacional. E, por que não?, para o Atlético-MG, que fez o que quis com o Santos no Mineirão. Mostra bom futebol esse time de Celso Roth, equilibrado, ofensivo porém sem afobação, com um Diego Tardelli que parece enfim ter chegado à maturidade (dentro de campo; fora, não sei e nem me interessa).

Quanto aos outros dois: nem São Paulo e nem Inter me parecem ter a constância, ou a fome, para encostar no líder e complicar-lhe a vida. Dei umas olhadas em Inter x Flamengo, mas aquilo era mais pólo aquático que futebol. No clássico paulistano, pensei que o São Paulo fosse cair matando, pois o Corinthians, apesar do que dizem Mano e jogadores, já ganhou o ano. No entanto, o Corinthians teve mais condições de ganhar do que o São Paulo, beneficiado pela arbitragem: gol de Washington impedido e aquele lance com Ronaldo, uma “falta” só apitada no Brasil, que desenvolveu critérios próprios para interpretação da regra.

Tenho visto o Flamengo de Adriano jogando bem em casa, mas vacilando demais fora. Como o mundo não se resume ao Maracanã, embora exista quem sustente isso, o Mengão terá de ser visitante mais indigesto caso alimente ambições para este ano e o próximo. Mais interessante que o futebol do Flamengo tem sido o do Vitória, que no Barradão parece quase imbatível e domingo ajudou a afundar o Botafogo em sua própria casa. Aliás, pobre futebol carioca que, este ano, resume suas esperanças ao Flamengo. Botafogo e Fluminense vão empregar o resto da temporada na tentativa de não cair. Talvez ainda dê para o Botafogo, mas a situação do Flu parece ruim demais, apesar da vitória de domingo contra o Avaí e o apoio maravilhoso da torcida.

Quanto a mim, em face dos últimos resultados vou empregar minha energia de torcedor no apoio ao futebol feminino.

(Coluna Boleiros, 29/9/09)

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