As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Verde que te quero verde

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h19

Sendo o futebol o que é, não dá ainda para dizer que o Palmeiras será o campeão. Mas que está tudo encaminhado para isso, não há dúvida. A administração Belluzzo sabe que a melhor maneira de enfrentar os imprevistos é planejar. E que, mesmo quando se planeja, algo escapa ao controle. Mas é melhor ter um quadro de referência pré-estabelecido do que não ter nada e ficar à mercê do acaso. Assim, quando Keirrison saiu e o Palmeiras pareceu à beira do desmanche, ele soube negociar com o patrocinador e fechou a porta de saída. Só assim conservou o até agora melhor jogador do campeonato, Diego Souza. Fez mais: trocou de técnico, não no auge de uma crise mas no momento de uma instabilidade controlável. E, para o seu lugar, trouxe outro profissional tão competente quanto o primeiro. Ainda fez mais: quando já tinha um bom time, trouxe um jogador que pode fazer a diferença, o centroavante Vágner Love. Não basta ter um projeto. É preciso investir nele. Aprofundá-lo enquanto se realiza.
Não se pode também ignorar o desempenho do outro verde, o Goiás, que ocupa o segundo lugar na tabela, e não por acaso. É um time que vem sendo sistematicamente chamado de cavalo paraguaio e, indiferente a isso, não se cansa de mostrar boas exibições. A dupla Yarlei e Fernandão é das mais inteligentes do futebol brasileiro – isso para ficar nos atacantes. Somos muito autocentrados e temos dificuldade em encontrar vida além do eixo-Rio São Paulo. Pois bem, times como o Goiás, nos obrigam a alargar a visão. E já pensaram que formidável final de campeonato teríamos se ele desse uma atropelada final?
Não que o Goiás seja a única ameaça ao Palmeiras. Apesar dos últimos resultados, o título continua sendo uma possibilidade para o São Paulo e Internacional. E, por que não?, para o Atlético-MG, que fez o que quis com o Santos no Mineirão. Mostra um bom futebol esse time de Celso Roth, equilibrado, ofensivo porém sem afobação, com um Diego Tardelli que parece enfim ter chegado à maturidade (dentro de campo; fora, não sei e nem me interessa). Agora, quanto aos outros dois: nem São Paulo e nem Inter me parecem ter a constância, ou a fome, para encostar no líder e complicar-lhe a vida. Dei umas olhadas em Inter x Flamengo, mas aquilo era mais pólo aquático do que futebol. No clássico paulistano, pensei que o São Paulo fosse cair matando, pois o Corinthians, apesar do que possam dizer Mano e jogadores, já ganhou o ano. E, no entanto, foi o Corinthians que teve mais condições de ganhar do que o São Paulo, beneficiado da arbitragem. Gol de Washington impedido e aquele lance com Ronaldo, uma “falta” só apitada no Brasil, que desenvolveu critérios próprios para interpretação da regra.
Tenho visto o Flamengo de Adriano jogando bem em casa, mas vacilando demais fora. Como o mundo não se resume ao Maracanã, embora exista quem acredite nisso, o Mengão terá de ser um visitante mais indigesto caso alimente maiores ambições para este ano e o próximo. Mais interessante que o futebol do Flamengo tem sido o do Vitória, que no Barradão parece quase imbatível e domingo ajudou a afundar o Botafogo em sua casa. Aliás, pobre futebol carioca que, este ano, resume suas esperanças ao Flamengo. Botafogo e Fluminense vão empregar o resto da temporada tentando não cair. Talvez ainda dê para o Botafogo, mas a situação do Flu parece ruim demais, apesar da vitória de domingo contra o Avaí e o apoio maravilhoso da torcida.
Quanto a mim, em face dos últimos resultados acho que vou reservar minha energia de torcedor para o futebol feminino.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: