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Vida que segue

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h20

Deu o óbvio ululante no segundo jogo entre Corinthians e Santos. Como o Timão havia aberto boa vantagem no jogo da Vila, bastou-lhe confirmar o título no Pacaembu. Merecido. Inclusive pela história da partida. O Santos até que começou bem, pressionando e encurralando o adversário em seu campo. Conseguiu fazer 1 a 0 com pênalti sofrido por Kleber Pereira e por ele mesmo convertido. Mas o Corinthians empatou logo depois com André Santos e evitou que os santistas passassem a gostar do jogo. Ficou claro, naquele momento, que a vantagem de três gols seria insuperável. E os jogadores do Santos murcharam.
O jogo confirmou que o Corinthians tem um sistema defensivo muito bom, difícil de ser batido. Se o campeonato conquistado sem qualquer derrota quer dizer alguma coisa, é que Mano Menezes montou um time sólido. E, claro, com uma vistosa cereja em cima do bolo, que atende pelo nome de Ronaldo e resolveu as partidas decisivas.
O presidente do Santos, Marcelo Teixeira usou a metáfora do parágrafo anterior e disse que faltava ao seu time a tal “cereja no bolo”. Dando a entender que iria às compras. Pode até ser. Mas, como sabemos, não é tempo de cerejas para o futebol brasileiro. Hoje em dia é difícil até arrumar jogadores meramente competentes, o que dirá encontrar aqueles que fazem a diferença…
Mas pelo menos o presidente mostrou consciência de que esse time, que evoluiu, precisa de reforços para fazer boa campanha no Brasileiro e, quem sabe, faturar uma vaga para a Libertadores. O trabalho de Mancini parece competente, o elenco não é ruim, mas carente em algumas posições, como as laterais, em especial a lateral-direita.
Já o Corinthians terá de interromper a festa e pensar na parada dura que terá diante do Atlético-PR pela Copa do Brasil. Terá de reverter um resultado, situação difícil, mas não impossível – basta-lhe uma vitória por 1 a 0 para conseguir passar para a fase seguinte. Ao contrário do que aconteceu com Mancini, parece que Mano é bem consciente da importância da Copa do Brasil, a forma mais curta de atingir a Libertadores.
Torneio em que estão Palmeiras e São Paulo. O Palestra pega de novo o complicado Sport do Recife, mas o São Paulo teve seu encontro com o Chivas adiado por causa da gripe suína. O foco, segundo Muricy, é no jogo contra o Fluminense, sua estréia no Campeonato Brasileiro. O Santos também deve curar sua ressaca e se preparar para a parada indigesta que é o Grêmio, no Olímpico. Enfim, é vida que segue, como dizia o grande João Saldanha.
Falando nisso, acompanhei as finais fora de São Paulo, em Recife, para onde vim a trabalho e convivo com colegas de vários Estados. Vi os santistas conformados, reconhecendo o título corintiano a partir da derrota na Vila. O mesmo para os torcedores do Atlético Mineiro, que tudo o que queriam depois da lavada diante do Cruzeiro era livrar-se de Leão. Já conseguiram e assume Celso Roth. Já os botafoguenses viveram a derrota para o Flamengo como experiência de tragédia. Tiveram dificuldade para assistir à partida, pois a TV aberta passou Corinthians x Santos, um claro efeito-Ronaldo. O engraçado é que os flamenguistas pareciam impassíveis, como se achassem que o título era inevitável. Os botafoguenses estavam indóceis. Encontraram um bar onde havia TV a cabo e foram assistir. Voltaram destroçados. Não é para menos: estar perdendo por dois gols, empatar e depois jogar tudo fora nos pênaltis é para acabar com qualquer um. Coisas que só acontecem com o Botafogo, como eles mesmos dizem.

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