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Zinedine Zidane

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 21h16

Quando um ex-jogador de futebol se torna capa de uma importante revista francesa? Resposta: quando ele se chama Zinedine Zidane e quando chega às livrarias uma biografia não-autorizada que, por pouco, deixou de ser impressa. Zidane – une Vie Secrète, da jornalista Besma Lahouri, ostenta essa condição controversa em sua capa – “Le Livre que vou avez failli ne jamais lire” (o livro que por pouco você deixou de ler). Entre as peripécias da obra, estão um assalto à casa do editor e outro, à da autora, ocasião em que foram levados os computadores contendo cópias do manuscrito. Por sorte, havia um back-up em lugar mais seguro. Os crimes ainda não foram apurados.

Com esses precedentes policiais, e mais o renome do biografado, entende-se o interesse da revista. O espaço, de 11 páginas (entre textos de jornalistas, excertos do livro e fotos), na semanal L?Express, tem introdução assinada por Philippe Broussard que, logo de início, adverte a quem busca fofocas e escândalos fáceis. “As 420 páginas não desvelam qualquer fato escandaloso da vida privada de Zidane”, escreve.

O livro também não pode ser considerado exatamente um modelo de exercício estilístico além de conter erros e generalidades, típicos de quem se sente pouco à vontade no universo do futebol, continua Broussard. Apesar disso, o volume deve ser lido porque é o estudo mais completo já feito sobre o “sistema Zidane”, ou seja, a organização gerencial montada em torno do mais bem-sucedido jogador francês de todos os tempos. Mesmo essa afirmação é controversa pois existe quem dê o título a Michel Platini. Polêmicas futebolísticas à parte, o fato é que Zidane atuou num tempo muito mais midiático e, portanto, amealhou mais dinheiro e poder que o antecessor. Esse dinheiro e esse poder são os objetos maiores de preocupação de Besma Lahouri ao longo do que parece ser uma investigação exaustiva.

Mas sempre sobra espaço para o ato final da vida profissional de Zizou, a famosa cabeçada em Materazzi na final da Copa do Mundo contra a Itália, em 2006. O livro revela que Zidane abandonou o estádio em companhia de seus dois irmãos, jantou num restaurante modesto sem dizer palavra e recolheu-se ao hotel de madrugada. Profundamente arrependido do que fizera.

(Cultura, 19/10/08)

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