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22 razões para Joanna Maranhão ser a musa do Pan (sem fotos)

Demétrio Vecchioli

17 de julho de 2015 | 02h40

Mal o Pan começou e Ingrid Oliveira, dos saltos ornamentais, foi alçada a “musa do Pan”. Como ela parou de competir, muita gente passou a buscar outras “musas”. Na opinião deste blogueiro, não há discussão. A grande musa da delegação brasileira é Joanna Maranhão. Os motivos são expressos em texto, não em foto.

1 – Graças a Joanna Maranhão, o Brasil hoje tem uma lei que determina que o prazo para prescrição de crimes sexuais contra crianças e adolescentes começa a contar quando a mesma completa 18 anos. Assim, casos como o dela (que sofreu abusos na infância e só tomou coragem de revela-los como adulta) não passarão impunes. Chama-se Lei Joanna Maranhão.

2 – É tão politizada, mas tão politizada, que tem tempo – e cabeça – para ser ativista das mais diversas causas.

3 – ATIVISTA SOCIAL – Joanna mudou a história do combate ao abuso sexual infantil no Brasil, mas não se deu por satisfeita. Criou e administra uma ONG em Recife, o Projeto Infância Livre, que acompanha crianças e adolescentes que sofreram o mesmo que ela e ainda realiza campanhas de prevenção contra esse crime.

4 – ATIVISTA DA CAUSA ANIMAL – Se deixassem, Joanna Já teria virado vegana. Por ela, não comeria mais carne. Aos poucos, ela está retirando da sua dieta os ingredientes provenientes dos animais. Ainda não se “converteu” completamente porque uma mudança radical na alimentação pode ter impactos profundos no desempenho esportivo, mas isso é só questão de tempo.

5 – ATIVISTA DA CAUSA GLBT – Não são poucos os posts de Joanna Maranhão nas redes sociais em defesa da causa GLBT, um tabu enorme dentro do esporte. Tem um irmão homossexual e levou a mãe para a última parada Gay na Avenida Paulista.

6 – Uma pausa para lembrar que Joanna Maranhão é ativista da causa LGBT sem deixar de ir todo domingo na missa e fazer repetidas postagens agradecendo a Deus. Sim, é possível!

7 – ATIVISTA POLÍTICA – Joanna diz que nunca será candidata a deputada ou coisa que o valha porque seria expelida pelo sistema. Mentira. Logo ela estará representando muita gente no legislativo recifense, pernambucano ou nacional. Ganhou a torcida contrária de “90% da população brasileira”, mas disse o que pensava, sem ser perguntada, sobre a redução da maioridade penal e a estratégia usada por Eduardo Cunha para aprovar a tal PEC.

8 – Outra pausa, para um motivo importante (que deveria estar no 10): Joanna Maranhão não representa quem bate palmas para Feliciano, Bolsonaro e Eduardo Cunha.

9 – CICLOATIVISTA – Joanna Maranhão aboliu o carro. Mudou-se para São Paulo e faz tudo de bicicleta ou transporte público, ainda que isso cause um desgaste a mais na sua pesada rotina de treinos.

10 – FEMINISTA – Joanna faz parte da Comissão de Mulheres no Esporte, criada pelo COB. Veterana da seleção feminina de natação, sempre brigou por condições iguais às dos homens.

11 – Joanna Maranhão é (ou era) inconformada. Diz que cansou de dar murro em ponta de faca, o que parece que não é tão verdade assim. Brigou inúmeras vezes com a presidência da CBDA. Hoje, colocou um treinador como interlocutor, mas não se relaciona com o Coaracy Nunes, dirigente que está há mais de 25 anos no cargo.

12 – Até na hora de escolher um namorado, Joanna foi uma musa. Optou logo por um lutador de judô de mais de 100 quilos que é a mulher da relação. Luciano Corrêa, ouro no Pan e campeão mundial em 2007, não só é bem sucedido no esporte, como é também um exemplo a ser seguido. Criou uma ONG que ensina judô para crianças carentes em BH e em Piranhas, no interior de Alagoas. Joanna ajuda.

13 – Doze motivos sem nem falar de esportes. É esse também um dos motivos que fazem dela uma musa. Antes de ser uma grande atleta, Joanna é uma grande pessoa.

14 – Joanna bateu o recorde sul-americano dos 200m costas no Pan

15 – Joanna bateu o recorde sul-americano dos 200m borboleta no Pan

16 – Joanna ajudou o Brasil a bater o recorde sul-americano do revezamento 4x200m livre no Pan

17 – Joanna bateu o recorde brasileiro do 400m medley no Pan

18 – Joanna bateu o recorde brasileiro dos 400m medley no Pan e não se importou se ganharia medalha ou não por isso. Estava radiante, em entrevista ao SporTV, quando foi informada pelo repórter que a campeã da prova havia sido desclassificada. O quarto lugar viraria bronze. Não se importou muito. A lição: Medalha não é tudo. É quase nada, aliás.

19 – Joanna bateu o recorde brasileiro dos 400m medley no Pan e mostrou que é possível ter o melhor e mais feliz momento da carreira aos 28 anos.

20 – Joanna bateu o recorde brasileiro dos 400m medley no Pan e nos ensinou que nenhuma barreira é intransponível. Foram 11 anos com aqueles 4min40s00 na cabeça. O tempo que a fez quinta colocada na Olimpíada, o 40s00 que não virava 39s99 de jeito nenhum. Onze anos tentando, uma carreira inteira.

21 – Joanna bateu o recorde brasileiro dos 400m medley no Pan e superou todas as crises de pânico que lhe incorreram ao longo de uma década. Imagine o leitor, que joga videogame, ficar 11 anos numa mesma fase. E você é viciado nesse jogo. Bem vindo à vida real de Joanna.

22 – Porque musa é aquela quem nos inspira, nos motiva, nos faz ficar feliz pelos seus feitos. E não tem como não ficar feliz com isso: “Eu perguntava a Deus se eu iria viver com esse fardo, perguntava se valia a pena tentar mais uma vez, se era melhor deixar do jeito que estava, eu batia na trave, eu sofria. Mas os 11 anos de espera fizeram sentido. Hoje é o dia mais feliz da minha carreira, seja ele acompanhado de um bronze ou de um quarto lugar, eu tenho em mim a certeza de que no dia de hoje, eu nunca fui tão feliz”.

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