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Aldo e PC do B deixam forte legado de apoio ao atleta

Demétrio Vecchioli

24 de dezembro de 2014 | 14h33

O anúncio da ida de Aldo Rebelo para o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a chegada de George Hilton para o Esporte colocam fim a 12 marcantes anos do PC do B à frente da pasta esportiva do Governo Federal. A sigla comunista deixa um enorme legado: hoje, são poucos os atletas que ainda podem reclamar de falta de apoio para viver de esporte.

(lembrete do blogueiro para o leitor: esta é uma análise do ponto de vista do esporte olímpico de alto rendimento, tema do blog).

Para o esporte de alto rendimento, foram quatro ações principais. A primeira dela, que data ainda do início do governo Lula, é o Bolsa Atleta. O programa começou cheio de deficiências e hoje contempla mais de 7.000 atletas, de diversos níveis, com uma bolsa mensal. O caráter ideológico do partido, porém, fez com que a meta sempre fosse ampliar o número de contemplados, priorizando a quantidade e não a qualidade da bolsa. Por isso, diversos vícios foram se arrastando pelos anos, sempre com a complacência da pasta – escrevo mais em outro post.

Foi também ainda sob o governo Lula que o ministério do Esporte firmou acordo com as Forças Armadas para que atletas de alto rendimento, especialmente de modalidades nas quais não há tanto investimento de patrocinadores privados, fossem alistados no Exército, Marinha (primeiro) e Aeronáutica (a partir do ano passado). O soldo de terceiro sargento e as viagens para competir bancadas pelo ministério da Defesa ajudaram a melhorar o nível do esporte de rendimento brasileiro.

Já com Dilma foi criado o Plano Brasil Medalha, do qual faz parte a Bolsa Pódio. O governo não teve nenhum pudor em investir na casa dos bilhões de reais em atletas que têm condições de ganhar medalha em 2016. O projeto contempla de salário de atletas e profissionais de equipe multidisciplinar (de técnico a psicólogo) até centros de treinamento e intercâmbios. Os resultados, já expressivos, serão comprovados em 2016.

Da mesma forma, a Lei de Incentivo ao Esporte, que começou a valer em 2007, tornou-se uma poderosa fonte de recursos para clubes e instituições que desejam investir no esporte olímpico. Só ano passado foram mais de R$ 200 milhões captados. Quem sabe trabalhar, como o Pinheiros, a Sogipa e o Minas Tênis Clube, consegue manter equipes fortes em modalidades das quais patrocinadores passam longe – a esgrima é um exemplo concreto.

Obviamente muita coisa foi feita errada (o CNE existe só de fachada e o investimento na base ainda é pouco), Orlando Silva caiu por usar o programa Segundo Tempo para beneficiar ONGs ligadas ao PC do B, mas o saldo da gestão do partido e, principalmente, do ministro Aldo Rebelo, é altamente positivo. O esporte brasileiro cresceu uma enormidade nos 12 anos passados.

George Hilton – Uma pena a presidente Dilma ter entregue o Esporte à cota partidária, justamente a um partido que nunca teve relação estreita com o esporte. Os principais programas do ministério precisam ser aperfeiçoados, mas jamais substituídos. A mudança de sigla pode vir associada a um interesse em criar uma identidade PRB/Esporte, quando tudo que o esporte brasileiro precisa, de agora até 2016, é de tranquilidade para seguir crescendo.