Aline fatura prata e é primeira brasileira medalhista num Mundial de Luta
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Aline fatura prata e é primeira brasileira medalhista num Mundial de Luta

Medalha de Aline é a primeira do Brasil na história dos Mundiais de Luta.

Demétrio Vecchioli

11 Setembro 2014 | 11h50

O esporte olímpico do Brasil vive uma de semana mágica. Nesta quinta-feira, Aline Ferreira se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha em um Mundial de Luta (wrestling) ao ficar com a prata na categoria até 75kg em Tashkent (Usbequistão). Na final, a atleta de 28 anos, que já havia sido vice-campeã mundial júnior em 2006 (na até 72kg), perdeu o por 2 a 1 para a norte-americana Adeline Gray, medalhista pelo quarto Mundial consecutivo.

Vale lembrar que, no fim de semana, Marcus Vinicius D’Almeida ganhou a prata na Final da Copa do Mundo de Tiro Com Arco, evento mais importante do ano na modalidade. Depois, na quarta, Rodrigo Bastos terminou em quinto na fossa olímpica no Mundial de Tiro Esportivo, perdendo a chance de disputar o bronze porque demorou a dar o tiro de desempate (entre o quarto o quinto lugares). Os três são resultados inéditos para o País.

A surpresa pela medalha desta quinta é só pelo fato de ela estar no peito de Aline Ferreira, menos cotada do que Joice Silva, eliminada na primeira luta do Mundial, também nesta quinta. Mas não dá para se espantar com o fato de o Brasil subir ao pódio de um Mundial de Luta. Há pelo menos três anos a modalidade é tratada como potencial medalhista dos Jogos Olímpicos de 2016 e, por isso, o Ministério do Esporte e o COB têm dado bom respaldo à CBLA (Confederação Brasileira de Luta Associada). A FILA (Federação Internacional) também ajuda, pagando salário de pelos menos dois dos quatro técnicos estrangeiros – o cubano Pedro Garcia Perez comanda o time feminino.

No ano passado, Joice chegou até as quartas de final e acabou derrotada por uma atleta do Azerbaijão. Como a rival não foi à final, ela perdeu a chance de disputar o bronze na repescagem. Laís Nunes caiu nas oitavas e também não pôde participar da repescagem porque a algoz acabou eliminada na sequência.

Agora o Brasil foi muito além com Aline, que passou por Gulmira Izmatova (Usbequistão) e Burmaa Ochirbat (Mongólia) antes da final. Na disputa do ouro, a norte-americana foi mais ofensiva e pontuou primeiro, ainda no segundo minuto de luta. A brasileira equilibrou as ações, mas só pontuou por falta de combatividade, perdendo de 2 a 1 após seis minutos. De qualquer forma, é a terceira prata inédita de Aline, que também foi a primeira brasileira finalista de uma edição de Jogos Pan-Americanos, em 2011.

Para o esporte brasileiro, a medalha é um alento. Uma mostra de que o leque de opções para 2016 é cada vez mais amplo. Se o judô falhou na sua meta (queria seis medalhas no Mundial, ganhou só quatro), a luta foi lá e recuperou um pódio “perdido”. Ontem, com o quinto lugar de Rodrigo Bastos no Mundial de Tiro Esportivo, o País mostrou que poderia recuperar, por exemplo, a medalha que não veio no salto por equipes no Mundial de Hipismo. É assim que se chega ao top10 da Olimpíada.

Sobre a luta, é importante destacar que o Brasil tem uma ótima seleção feminina, com pelo menos cinco atletas com condições de subir ao pódio nos Jogos Pan-Americanos, e um péssimo time masculino. Isso se explica pelo fato de que, na luta feminina, o Brasil ter tirado algumas décadas de atraso. No masculino, é mais de um século de retardo numa das mais antigas modalidades olímpicas. Hoje, o País acumula alguns bons anos sem vencer nenhuma luta em Mundiais. E nada indica que isso possa mudar no curto prazo. De qualquer forma, palmas para a CBLA, que apostou no feminino e se deu muito bem.

A luta, vale lembrar, chegou a ser excluída da programa olímpico dos Jogos de 2020 e só voltou ao se modernizar e vencer uma disputa direta contra beisebol e squash. Entre as mudanças, a exclusão de duas provas masculinas (uma no livre outra no greco-romano) para criar duas novas categorias no feminino, com o remanejamento das limitações de peso. Assim, as atletas que antes disputavam quatro medalhas de ouro, passaram a brigar por seis, abrindo as fronteiras para mais campeãs e medalhistas.

Mais conteúdo sobre:

Aline FerreiraMundial de Luta