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Análise Mundial de Barcelona – Polo Aquático

Demétrio Vecchioli

29 de julho de 2013 | 15h11

Polo 2

19 a 1. Foi essa a soma dos resultados apenas do segundo quarto dos quatro jogos da seleção feminina brasileira de polo aquático no Mundial de Esportes Aquáticos de Barcelona. Com quatro derrotas, a equipe foi eliminada nas oitavas de final, pelos Estados Unidos, deixando a competição com o sentimento de que poderia ter feito mais.

“Esta questão do segundo quarto foi o problema do time neste campeonato. Temos que evitar nas próximas competições esta oscilação”, avaliou Mirella Coutinho, em entrevista ao blog brasileiro World Ball. Como comparação, na soma dos primeiros quartos, o placar dos quatro jogos seria 13 x 5.

Obviamente que a oscilação no segundo quarto tem uma razão de ser: a falta de reservas no mesmo nível das titulares. Quando essas não eram trocadas, jogavam cansadas. Quando iam para o banco, a qualidade da equipe decaia. Algo compreensível num país sem tradição no polo aquático. “Como não há muita troca, as jogadoras que começam se desgastam muito”, comentou Marina Zabilth, ao mesmo blog. Em quatro jogos de 32 minutos, ela descansou 19 segundos.

Esse problema poderia ser resolvido com um campeonato nacional um pouco mais forte, mas a última Taça Brasil teve apenas três times (Pinheiros, Flamengo e Botafogo). Mas faltam atletas no País, assim como falta apoio.

O que dá para fazer é proporcionar intercâmbio. Pelo que falou Mirella Coutinho, isso está nos planos. “Vamos ficar num centro de treinamento e trabalhar duro para os Jogos Olímpicos de 2016. Só com treinamento e intercâmbio o Brasil será competitivo em casa”.

O Brasil chegou ao Mundial com a meta clara de vencer o Casaquistão, time que ficou só uma posição à frente das brasileiras no último Mundial. Mas o placar acabou sendo 9 a 5 para as asiáticas (2×2/3×0/2×0/3×2). “Cometemos muitos erros, e tomamos muitos contra-ataques, o que desorganizou a defesa, após um bom início. Talvez este equilíbrio inicial tenha desconcentrado o time. E hoje tinha que dar, era uma cobrança nossa, mas vai ficar para a próxima”, disse Marina Zablith após a partida.

Contra Itália (13 x 5) e Hungria (20 x 6) as derrotas foram previsíveis, mas com placar até mais elástico que o esperado. Depois, nas oitavas, derrota de 14 a 3 para os EUA e eliminação. Diferente dos últimos Mundiais, não houve o torneio de consolação para as nove últimas, o que poderia ajudar o Brasil a medir o seu real nível.

Na competição, o Brasil teve como titulares: Manuela Canetti (1988), Marina Zablith (1987), Marina Canetti (1983), Melani Dias (1991), Izabella Chiappini (1995), Flavia Vigna (1990) e Mirella Coutinho (1994). Das reservas, as que mais atuaram foram Luciene Maia (1988), Viviane Bahia (1994) e a goleira Victoria Chamorro (1996), que chegou a jogar o segundo tempo inteiro contra EUA e Itália.

Completaram o elenco Diana Abla (1995), Adhara Santoro (1995), Victoria Muratore (1994). Por conta dessa falta de rodízio, antes de pegar os EUA, o Brasil tinha quatro jogadoras (as duas Marinas, Izabella e Mirella) com mais de 80 minutos jogados. A norte-americanas apenas três com mais de 60. Cansaço pesa.

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