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Aos 16, Duda ganha bronze e bate recorde histórico no vôlei de praia

Demétrio Vecchioli

24 de maio de 2015 | 14h07

Eduarda Lisboa, a Duda, comprovou neste domingo por que é apontada como a maior revelação do vôlei de praia brasileiro em todos tempos, ao ganhar a medalha de bronze do Open de Praga (República Checa). Aos 16 anos, nove meses e 23 dias,ela por apenas três dias não bateu o recorde histórico do Circuito Mundial. Mas isso não faz o feito dela menos impressionante.

Exceto duas chinesas – Xinyi Xia e Chen Xue -, nenhuma outra atleta com menos de 20 anos subiu ao pódio em toda a história do Circuito Mundial, que já teve 302 etapas, em 27 temporadas. Xia, que se tornou recordista em 2013, foi ao pódio em duas etapas esvaziadíssimas naquele ano.

Quando o fator de comparação é o vôlei de praia brasileiro, os números de Duda são ainda mais impressionantes. A antiga recordista era Juliana, que ganhou sua primeira medalha, com Larissa, a poucos dias de completar 21 anos. Carol Salgado agora é a terceira da lista – estreou no pódio aos 21.

Isso significa que, daqui a quatro anos, na corrida pré-olímpica para Tóquio-2020, Duda ainda será uma menina mais jovem do que era Juliana quando foi pela primeira vez ao pódio. Só durante o ciclo olímpico de 2024 (mais exatamente em 2021) é que Duda vai se tonar “adulta” no vôlei de praia – a categoria de base vai até 23 anos. Uma margem de crescimento absurdo.

Filha da ex-jogadora Cida, Duda cresceu no Circuito Brasileiro. A análise geral é que, das arquibancadas, aprendeu a entender o jogo como poucas. Quando tinha 14 anos, chegou ao Brasil em uma segunda-feira de manhã, campeã mundial escolar na Itália, e foi convocada à tarde para disputar o Mundial Sub-23 que começaria na quarta-feira, na Polônia. Viajou, jogou e só não foi campeã porque a companheira, Thais, se lesionou na final.

Desde então, trocou diversas vezes de parceira. Não faz muito tempo, chegou-se à decisão de que o melhor seria um projeto a longo prazo com Carol Horta, de 22 anos, mas esta desistiu do time para jogar com Lili, exatamente a ex-parceira de Duda.

A menina decidiu mudar de posição – jogava na defesa e passou para o bloqueio – e formar dupla com Elize Maia. Em duas etapas do Circuito, os resultados já vieram. Elas foram quintas colocadas (perderam nas quartas de final) em Lucerna, na Suíça, semana passada, e agora terminaram com o bronze em Praga, beneficiadas pela desistência de Maria Clara/Carol, por lesão.

Agora é saber quais serão os planos da dupla (e da CBV). O Brasil tem direito a três vagas nas etapas de Grand Slam, que são de Juliana/Maria Elisa, Larissa/Talita e uma segunda parceira escolhida pela CBV . A entidade tem sido coerente e deve convocar Ágatha/Bárbara Seixas, campeãs em Praga.

Os outros times jogam o country-cota, para que uma dupla brasileira chegue ao quali e, depois, à chave principal. Maria Clara e Carol terão que percorrer esse caminho, mas no Grand Slam de Moscou, nessa semana, receberam convite para a chave. Duda/Elize não está inscrita no country-cota da Rússia, mas agora sabe que pode superar os outros times brasileiros que brigam pelo posto de quinta dupla do País: Lili/Carol Horta e Fernanda Berti/Taiana.

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