Aos 18, Ana Sátila é 11º do mundo na canoagem e já mira 2016
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Aos 18, Ana Sátila é 11º do mundo na canoagem e já mira 2016

Demétrio Vecchioli

23 Setembro 2014 | 01h15

Ana Sátila, no centro, segurando o remo, junto à equipe brasileira. A foto é do ano passado, mas 1) é bonita e 2) mostra quão jovem é o time da canoagem slalom

A Olimpíada em casa, não é segredo para ninguém, fez aumentar o investimento público em modalidades nas quais o Brasil tinha pouca ou nenhuma tradição. Talvez quem mais se beneficiou disso, saindo quase do zero, tenha sido a canoagem slalom. Com recursos do BNDES (como patrocinador, não banco), paga um técnico estrangeiro, intercâmbio de meses na Europa para uma equipe relativamente grande e leva os atletas a todas as principais competições do mundo.

O resultado aparece na água, com a talentosa Ana Sátila. Mais jovem brasileira em Londres/2012, nos Mundiais Júnior ela já foi bronze no C1 (não-olímpico) em 2013 e ouro no K1 (olímpico) em 2014. Neste domingo, ela não fez final no Mundial Adulto de Maryland (EUA) por meros seis centésimos, terminando na 11.ª colocação a descida semifinal do K1. O resultado é histórico e coloca Ana Sátila como um virtual finalista olímpica. Afinal, na Olimpíada cada país pode levar um atleta apenas – no Mundial são dois.

A evolução de Ana Sátila é um reflexo de uma melhora gradual do Brasil na canoagem de correnteza, desde o investimento do BNDES, no ano passado. Praticamente todo mundo que foi a Praga (República Checa, 2013) e também a Maryland melhorou de um ano para outro. Um degrau médio (nem pequeno nem grande), mas um degrau. E nunca é demais lembrar que essa equipe é para 2020, não 2016. São todos garotos.

Pedro da Silva (Pepê) foi o melhor brasileiro no K1, mas repetiu o que fez ano passado. Passou à semifinal a 6s e meio do líder (em 31.º) e perdeu uma porta na semifinal, terminando no último lugar (40.º). Ricardo Martins Taques foi 54.º (melhorou 12 posições em relação a 2013) e o estreante Fábio Scchena o 61.º. No C1, evolução para Leonardo Curcell, que pulou do 48.º para o 32.º lugar. Felipe Silva também melhorou: de 63.º para 44.º. Charles Corrêa foi o 42.º.

A prova forte do Brasil na canoa, porém, o C2, com Charles Corrêa e Anderson Oliveira, desta vez ficou mais longe da semifinal. Se no ano passado eles ficaram em 22.º, a oito segundo dos primeiros, agora perderam duas posições, com o dobro da distância. Wellington Munhoz/Cassiano Vieira terminou em 34.º e Wallan/Welton de Carvalho em 37.º entre 38 duplas.

Aproveitando o post, o famoso Olimpílulas da Semana, com o que rolou de bom nas competições olímpicas do fim de semana. Não falo do vôlei porque o blog não cobre vôlei e nem da vela porque já escrevi aqui. 

MARATONAS AQUÁTICAS – Allan do Carmo, Diogo Villarinho e Samuel de Bona, um empurrando o outro, têm levado a natação em águas abertas do País num nível cada vez mais alto. Na quarta etapa do Circuito Brasileiro, os três bateram juntos (pelo jeito não havia recurso de photofinishing) e dividiram a primeira colocação em Brasília. Allan está um degrau na frente dos demais, tanto que venceu as quatro etapas. No feminino, esse papel é de Ana Marcela Cunha, sempre com folga – Poliana Okimoto está machucada, mas de qualquer forma não tem competido no País.

BOXE – O Brasil garantiu três medalhas no Memorial Legions Hall, em Kielce, na Polônia. Destaque para Joedison Teixeira (até 64kg), que venceu quatro lutas para ganhar o ouro, uma delas por nocaute. Carlos Rocha (56kg), outro novato na seleção, também faturou ouro, mas precisou só de duas lutas para isso. Os dois, porém, não são atletas para agora. Afinal, nas respectivas categorias os titulares são Everton Lopes e Robenilson de Jesus. Ainda na Polônia, o pesado Carlos Nascimento e Julião Neto (52kg) perderam na estreia. Julião, porém, estreou na semifinal. Por isso, ficou com o bronze.

CICLISMO – Está acontecendo o Mundial de Estrada, na Espanha, e farei um resumo quando a competição acabar. Por enquanto, vale destacar o terceiro lugar de Rafael Andriato num GP de um dia só na Itália. Na França, bronze para Rodrigo Quirino em uma prova clássica de montanha. Revelação do ciclismo de estrada brasileiro, ele está em intercâmbio na Suíça.