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Aos 21 anos, Jorge Zarif conquista título mundial da classe Finn

Demétrio Vecchioli

03 Setembro 2013 | 00h40

Jorge Zarif, entre Bruno Prata (esq) e o técnico Rafael Trujillo (dir)

Jorge Zarif, entre Bruno Prata (esq) e o técnico Rafael Trujillo (dir)

Enquanto se prepara para mais uma America’s Cup com a Oracle Team USA, Sir. Ben Ainslie viu um brasileiro mostrar que o britânico, maior campeão olímpico da história da vela, não terá vida fácil pela sua quinta medalha de ouro seguida. Neste domingo, Jorge Zariff se tornou o mais jovem campeão mundial da tradicionalíssima Finn.

Em Talinn, Jorginho apareceu como candidato a um bom resultado, até porque vinha do título do Mundial Júnior da Finn. Nunca alguém havia sido campeão na base e no adulto no mesmo ano. Não antes de Zariff, de apenas 20 anos.

No Mundial, ele foi preciso. Começou mal, com um 44º lugar (depois descartado), mas se manteve regular. Em sete regatas, venceu duas, fez um terceiro lugar, um sétimo e um nono, além de um 24º. Tudo isso numa flotilha de 86 barcos. Chegou à Medal Race precisando apenas completá-la, em último mesmo, para ser campeão.

Jorginho é filho de Jorge Zarif Neto, que participou de duas Olimpíadas pelo Brasil: Los Angeles/1984 e Seul/1988, mas faleceu jovem, em 2008, aos 50 anos. Não teve tempo de ver seu filho ser campeão da Silver Cup (Mundial Júnior) em 2009 e novamente em 2012.

“Algum tempo atrás, meu pai me dizia, filho, diga-me com quem tu andas que direi quem serás”, como todo filho, não dei muita atenção para a frase. Hoje posso dizer que entendi o significado dela. Por falar no velho, foi difícil não pensar nele essa semana, cada bronca, cada ensinamento, brincadeiras, conversas, tudo veio a cabeça e fez um pouco mais de sentido. Mais difícil ainda foi não imaginar como seria se ele estivesse aqui agora. Por isso me sinto muito orgulhoso e honrado de poder dedicar este título a ele, independente de onde esteja, sei que está realizado e feliz pelo filho, pelo velejador e pela pessoa que criou”, escreveu Jorge no Facebook.

Depois do 20º lugar nos Jogos Olímpicos de Londres (quando competiu machucado), Jorginho teria sido questionado por Bruno Prada se queria ser campeão olímpico ou participar de uma Olimpíada. Respondeu a primeira opção e ganhou um velejador três vezes campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico (sempre na Star) como “parceiro de treinos, rival, amigo e grande incentivador”, como Jorginho mesmo descreveu. O espanhol Rafael Trujillo, vice-campeão em 2003 e 2010 e campeão em 2007 é seu treinador.

Apesar da ausência do mito Ben Ainslie, Zarif teve como concorrentes em Talinn nomes como do britânico Edward Wright, medalhista nos últimos quatro anos, e do holandês Pieter-Jan Postma, que subiu ao pódio pela segunda vez em três Mundiais.

Jorginho já havia sido campeão da Silver Cup antes mesmo da medal race e voltou a mostrar quão superior é a seus pares no Mundial de Classe da Finn. Tirando ele, o melhor júnior foi só o 34º.

Com a exclusão da Star dos Jogos do Rio, a Finn é a classe há mais tempo no programa olímpico (desde 1952). O Brasil tem tradição nela principalmente por conta do tricampeonato mundial de Jörg Brunder (1970/71/72), que hoje dá nome à Silver Cup.

No seu primeiro Mundial na volta à classe Finn, Bruno Prada, já no alto dos seus 42 anos, foi apenas o 67º.