Após título mundial, handebol já tem a primeira ‘repatriada’
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Após título mundial, handebol já tem a primeira ‘repatriada’

Demétrio Vecchioli

22 de janeiro de 2014 | 07h00

Atleta olímpica do Brasil em Londres, Jaqueline Anastácio é a primeira jogadora de alto nível do handebol feminino a acertar seu retorno ao País. Ex-atleta do Dínamo Volgogrado, da Rússia, a armadora é o novo reforço da equipe da Metodista de São Bernardo.

Jack está fora da seleção desde maio do ano passado. Machucada, não foi ao Mundial. Aos 26 anos, a atleta que foi eleita a melhor do handebol em 2009 no Prêmio Brasil Olímpico, porém, segue nos planos do técnico Morten Soubak.  Agora, dá início, ainda que por razões pessoais, ao processo de repatriamento tão cobrando pelas campeãs mundiais, quase todas elas jogando na Europa. Ela não acredita, porém, que outras jogadoras possam fazer esse caminho tão cedo.

O que te fez voltar?

Vim para ficar essa temporada. Foi mais pra me proteger. Tinha duas lesões – uma delas mais antiga, nas pernas -, e o desgaste muito grande. Se continuasse lá poderia acontecer uma coisa pior. Decidir voltar, me recuperar, ficar numa liga não tão forte, não tão desgastante, para depois voltar para a Europa novamente.

Ainda não compensa financeiramente jogar no Brasil?

É meu país, é onde todo mundo que eu amo está, então compensa muito mais do que dinheiro. Mas é um sacrifício muito grande porque a diferença de salário é muito grande. Hoje a minha decisão não foi a financeira. Me programei para que isso acontecesse. Sei que é diferente, mas a Metodista supriu com o que eu pedi.

Você estava numa equipe grande da Europa, que joga campeonatos continentais. Qual o abismo financeiro entre o que você recebia lá e o que os clubes daqui podem pagar?

Paga menos que a metade. Vai, é a metade do que ganhava lá fora.

Você acha que outras jogadoras podem fazer esse caminho esse ano ou no próximo?

Acredito que não. Tem muita coisa pra melhorar. Hoje muitas atletas não viriam para o Brasil. Viriam porque não têm mais nada o que fazer (na Europa) então teriam que voltar. Eu estou vindo porque eu quero. Não é porque eu estou desesperada nem nada. Hoje elas pensam nessa realidade também.

O que falta para esse cenário mudar?

Acho que, diferente de alguns anos, a Liga Nacional melhorou bastante. Deu um upzinho. Mas falta um pouquinho mais de investimento, de os clubes terem um pouco mais de investimento. Hoje os clubes estão participando porque têm o incentivo da confederação, mas falta esse investimento na estrutura dos clubes para depois do evento em si.

Você jogava em Volgogrado, cidade dois atentados suicidas mataram mais de 30 pessoas em dezembro. Isso pesou na sua decisão de voltar?

Eu já estava no Brasil. Eu estava assistindo Fantástico e vi. Fiquei muito em choque porque foi na estação do lado da minha casa. Até conversei com a Mayssa (goleira da seleção), mas ela também não estava lá no dia. As meninas do meu time têm muito medo disso. Elas ficam super nervosas. Isso mexeu com a gente porque a gente pensou nas meninas, nas famílias. Pensei: não vou voltar. A gente ficou bastante com medo de isso voltar a acontecer. Foi ruim.

Mas você voltaria para lá?

Voltaria, voltaria. Eles me falaram de voltar na próxima temporada. Hoje hoje eu não voltaria. Mas daqui um ano talvez.

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