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Após ‘vaquinha’, COB diz que seguro por invalidez não valia para treinos de Lais

Demétrio Vecchioli

17 de março de 2014 | 20h36

“Vítima” de uma enxurrada de críticas nas últimas horas por não suprir ao apoio necessário para a continuidade do tratamento de Lais Souza, que teve que recorrer a uma vaquinha virtual para financiar o restante da recuperação de um acidente sofrido enquanto treinava para ir à Olimpíada de Inverno, o COB se pronunciou por meio de nota oficial.

“Na data do acidente, a Lais não participava de nenhuma delegação do COB ou de qualquer prova eliminatória ou classificatória para os Jogos Olímpicos. O seguro de vida ou invalidez contratado pelo COB cobre apenas os atletas em missões como os Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, os Jogos Olímpicos da Juventude, os Jogos Pan-americanos e os Jogos Sul-Americanos” é como justifica o COB para explicar por que Lais não tem seguro contra invalidez.

Opine! Você concorda com a postura do COB? Acha que o COB deveria dar assistência maior? Deixe seu comentário.

É sempre bom lembrar que o Comitê Olímpico  Brasileiro é patrocinado pela Bradesco Seguros, que é quem é responsável pelas apólices dos atletas brasileiros. A seguradora foi procurada durante toda a segunda-feira. De tarde, a assessoria esteve em reunião. No começo da noite, a resposta aos questionamentos do blog foi que o comunicado do COB seria o único pronunciamento.

O COB, porém, se justifica. Diz que “assumiu todas as ações desde o momento do acidente da Lais”. Segundo o órgão, “até este momento” Lais Souza está coberta pelo seguro contratados pelos COB e a CBDN. “A apólice de seguro do COB e da CBDN garante toda a emergência, o transporte entre os hospitais e o tratamento hospitalar da Laís”. Em síntese: do hospital para fora, a responsabilidade é da família do acidentado.

Há apenas quatro dias, a EF Education First, maior empresa educacional do mundo, foi apresentada como patrocinadora dos Jogos do Rio e prometeu ajudar Lais. “Eles irão a Miami visitar a Lais e providenciar um professor de inglês para ela. Acho que isso já é uma demonstração de carinho, de vontade, e mais uma demonstração do que o COB vem fazendo pela recuperação dela”, disse, na ocasião, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio/2016 e do COB.

Agora o papo é outro. “A campanha foi criada pensando no futuro da Lais Souza, de forma a ajudá-la a se autofinanciar. Inclui, desde contratar um professor de inglês para ela ainda em Miami (…)”. Ué, mas não era o professor de inglês não era uma demonstração do que o COB estava fazendo para ela. Agora precisa de doação para pagar o professor?

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De acordo ainda com o comunicado do COB, a vaquinha virtual vai ajudar a “custear parte de uma bolsa de estudo em uma universidade no Brasil, conseguir um coaching para prepará-la para dar palestras sobre suas experiências, até criar uma Fundação ou Instituto para a Lais. Da mesma forma, a campanha visa a compra de equipamentos para a mobilidade e o conforto da Lais, itens não previstos na cobertura dos seguros contratados pelo COB.” Não custa reforçar: contratado junto a um patrocinador oficial dos Jogos Olímpicos Rio/2016 (Bradesco)

“Por fim, o tratamento da Lais continua e segue a esperança de vê-la nas melhores condições possíveis. Porém, o COB está pensando no futuro da atleta. O objetivo é garantir a continuidade e a qualidade de seu processo de recuperação, para que ela possa ter independência financeira no futuro, com conforto e mobilidade”, explica o COB.

No dia seguinte ao acidente, escrevi que “A lesão da Lais é uma derrota enorme para o esporte brasileiro“. Escrevi “Lais foi usada”. É triste, mas eu estava certo. Lais foi usada. Ela estava lá pelo esporte brasileiro. Mas o esporte brasileiro não estava lá por ela.

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