As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

As mãos dadas podem virar medalha em 2016

Demétrio Vecchioli

19 de agosto de 2013 | 12h21

maratona

Bastava olhar a start list da maratona masculina no Mundial de Moscou para chegar a uma conclusão: o Brasil não era favorito. Com cinco quenianos e cinco etíopes (número bastante exagerado, ao meu ver), além de cinco atletas do Japão e cinco da Eritréia, seria difícil entrar nesse bolo. Mesmo que só três de cada um desses países (todos com tempos melhores do que dos brasileiros) fizessem boa prova, ainda assim restaria o 12º lugar para brigar com todo o resto.

Mas o que se viu sábado, em Moscou, foi uma ótima prova de Solonei Rocha e Paulo Roberto de Paula. Bem treinados, eles correram juntos com o pelotão o tempo todo para terminarem empatados na sétima posição, cruzando a linha de chegada de mãos dadas.

“Temos o mesmo ritmo e um procurou ajudar o outro. Tenho mais facilidades em subidas e ele em decidas. Somos amigos, da mesma região do interior de São Paulo”, comentou Paulo Roberto, que é de Irapuru, referindo-se a Solonei, que nasceu em Penápolis. “A partir do km 35, quando ainda estávamos no pelotão da frente, decidimos correr em nosso ritmo, sem importar em saber quem ganharia o ouro. O importante era completar bem a prova”, prosseguiu Paulo.

“Para quem era coletor de lixo em Penápolis há apenas 4 anos, só tenho de agradecer tudo de bom na minha vida. É um orgulho poder representar o Brasil”, comentou Solonei, que há quatro anos era gari em Penápolis.

Os brasileiros terminaram empatados em 2h11s40, com Solonei em sexto (mera formalidade). Ambos fizeram a melhor marca deles na temporada e se aproximaram do melhor deles na carreira: 2h11s32 para Solonei, 2h10s23 para Paulo.

O título ficou com o ugandense Kiprotich, que já era campeão olímpico. Atrás dele, três etíopes e um japonês. Em seguida, depois dos brasileiros, mais dois japoneses, sete quenianos e um norte-americano. É deste bolo que sairá o campeão dos Jogos do Rio/2016. Quem sabe aquele algo a mais (fator casa?) faça a diferença para os brasileiros. Não é improvável.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: